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Tecnologia

China lança robô hiper-realista com IA para combater solidão

Equipado com inteligência artificial, Ulé foi desenvolvido para conversar, identificar sinais de estresse e oferecer apoio a pessoas que vivem sozinhas e idosos
Por O Correio de Hoje
03/07/2026 | 16:23

A empresa chinesa UBTech apresentou um robô humanoide equipado com inteligência artificial e desenvolvido para atuar como um “companheiro emocional”. Com aparência hiper-realista, pele macia, voz suave e capacidade de manter conversas, o equipamento foi projetado para oferecer companhia contínua, identificar sinais de estresse e prestar auxílio em atividades do cotidiano, como lembrar horários de medicamentos.

Batizado de Ulé, o robô foi apresentado em um evento realizado em Shenzhen, no sul da China, em uma cerimônia com temática futurista que contou com a participação do DJ norueguês Alan Walker. Segundo a empresa, trata-se do “primeiro robô humanoide em tamanho real do mundo com aparência ultrarrealista”.

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Robô humanoide utiliza inteligência artificial para conversar, identificar sinais de estresse - Foto: reprodução

O lançamento faz parte da estratégia da UBTech para ampliar sua atuação no mercado de robôs voltados ao consumidor final, segmento que ainda busca consolidar modelos comerciais rentáveis.

De acordo com Michael Tam, diretor-geral da UWorld, marca da UBTech responsável pelo projeto, o robô foi concebido para atender principalmente pessoas que vivem sozinhas e idosos.

“O robô é voltado principalmente para pessoas solteiras (120 milhões na China) e para maiores de 60 anos (320 milhões), dois grupos que, segundo Tam, têm ‘grande necessidade de companhia e conforto emocional’.”

Segundo o executivo, o Ulé promete oferecer “amor eterno” aos usuários. O equipamento possui autonomia de aproximadamente quatro horas e utiliza inteligência artificial para aprender gradualmente os hábitos e preferências do proprietário. Ao longo da convivência, o robô amplia seu conhecimento sobre o usuário, permitindo respostas mais personalizadas.

Entre as funções disponíveis estão a identificação de sinais de cansaço e estresse, emissão de mensagens de conforto, lembretes para uso de medicamentos, orientações sobre vestuário e monitoramento de possíveis alterações relacionadas à saúde.

Fisicamente, o humanoide consegue movimentar cabeça, olhos e boca, tornando a interação mais natural durante as conversas. Apesar disso, a empresa esclarece que ele não foi desenvolvido para realizar tarefas domésticas. O robô não limpa a casa, não cozinha, não lava roupas nem executa serviços de manutenção. A UBTech também afirma que, “por enquanto”, o equipamento não foi projetado para oferecer relações íntimas.

O Ulé está disponível em versões feminina e masculina. O modelo feminino mede 1,68 metro, enquanto a versão masculina possui 1,83 metro de altura.

Os consumidores podem escolher diferentes estilos de aparência, incluindo roupas casuais, vestidos, macacões ou visuais mais sofisticados. Outra possibilidade é a personalização completa da aparência do robô, que pode ser configurado para se parecer com um familiar, uma celebridade ou até um personagem fictício.

Os preços variam conforme o nível de personalização e os recursos disponíveis. O modelo básico custa 119.800 yuans, aproximadamente US$ 12 mil ou cerca de R$ 62 mil.

As versões mais sofisticadas podem alcançar 990 mil yuans, equivalentes a aproximadamente US$ 145 mil ou R$ 750 mil.

O avanço desse tipo de tecnologia também desperta preocupações entre especialistas.

Críticos apontam que robôs voltados ao apoio emocional podem incentivar dependência afetiva dos usuários e levantar questões relacionadas à privacidade e ao uso de dados pessoais. Em resposta, a UBTech afirma que todas as informações coletadas pelo equipamento são criptografadas.

Segundo a empresa, os dados não serão utilizados para treinamento de modelos de inteligência artificial.

O lançamento ocorre em um momento de forte expansão da indústria de robótica na China.

Ao contrário do ceticismo observado em parte dos mercados ocidentais, os robôs já fazem parte do cotidiano chinês, sendo utilizados tanto em fábricas quanto em espaços públicos. O país lidera atualmente o desenvolvimento de robôs humanoides. Segundo dados do banco Barclays, a China respondeu por 85% dos robôs humanoides instalados no mundo em 2025.