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Meio Ambiente

Alerta: Ondas de calor dizimam corais no RN e ameaçam peixes

Pesquisadores afirmam que ondas de calor marinhas já provocaram mortalidade de até 90% em espécies de corais de fogo e alertam para risco de desaparecimento
Por O Correio de Hoje
03/07/2026 | 15:56

O aumento da temperatura dos oceanos provocado pelas mudanças climáticas tem colocado em risco os recifes de corais no Rio Grande do Norte. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) alertam que os limites técnicos para a sustentabilidade desses ecossistemas já foram ultrapassados e que espécies de corais de fogo presentes no litoral potiguar enfrentam risco de desaparecimento.

Segundo o biólogo e professor da UFRN Guilherme Longo, uma das espécies registrou mortalidade de até 90% após as ondas de calor marinhas ocorridas em 2020 e 2024, enquanto outra praticamente desapareceu dos parrachos do Estado.

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Recifes de corais servem de abrigo, alimentação e reprodução para diversas espécies marinhas no Estado - Foto: reprodução / tv tropical

Os recifes de corais são ecossistemas marinhos formados pelo acúmulo de calcário produzido por colônias de corais e desempenham papel essencial para a biodiversidade marinha. Eles funcionam como abrigo, área de alimentação e reprodução para diversas espécies de peixes e outros organismos.

“Dentre os corais, a gente tem os chamados corais de fogo, que são aqueles que a gente vê nas fotos dos parrachos com formato mais ramificado, parece um galho de árvore, amarelados, alaranjados, e que agregam muita vida também, dão muito refúgio para pequenos peixes”, explicou Guilherme Longo.

De acordo com o pesquisador, o Rio Grande do Norte foi atingido por dois eventos recentes de ondas de calor marinhas, fenômeno que elevou significativamente a temperatura da água e provocou impactos diretos sobre os corais.

“O Rio Grande do Norte sofreu dois eventos de onda de calor marinha recentemente, um em 2020 e outro em 2024, e esses corais não lidam bem com esse aumento de temperatura e acabam morrendo. Aqui no Brasil, a gente tem quatro espécies de coral de fogo, dessas quatro, duas ocorrem aqui no Rio Grande do Norte, uma delas é realmente mais ramificada, mais comum, mas ainda assim já está em perigo de ameaça, tendo sofrido mortalidades de até 90% nesses últimos eventos de onda de calor de 2024 e de 2020. E, mais drasticamente ainda, uma outra espécie que a gente chama de Millepora braziliensis, que praticamente desapareceu dos nossos parrachos, infelizmente”, afirmou.

Segundo os pesquisadores, os corais de fogo, grupo exclusivo da costa brasileira, encontram-se em perigo crítico. A perda desses organismos também compromete outras espécies que dependem dos recifes para sobreviver. Conforme dados apresentados pelo grupo da UFRN, a perda de 25% dos corais dos recifes pode levar à extinção de até metade das espécies de peixes da região.

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Pesquisador Guilherme Longo – Foto: reprodução / tv tropical

As conclusões fazem parte das avaliações do estado de conservação das espécies conduzidas pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A coordenação da avaliação dos corais é realizada pelo grupo de pesquisa da UFRN.

“Para chegar a essas conclusões, o Ministério do Meio Ambiente, com o ICMBio, realiza avaliações do nível de conservação das espécies. E essa parte de corais é coordenada aqui pelo nosso grupo na UFRN. No ano passado, a gente fez uma reunião de especialistas aqui na UFRN, reuniu dados de monitoramento dessas espécies de coral de fogo, utilizou também algumas projeções do que deve acontecer com essa espécie no futuro, porque essas ondas de calor são esperadas que aconteçam duas vezes a cada década, duas vezes nos próximos anos”, explicou.

Com base nos dados de monitoramento e nas projeções climáticas, os pesquisadores estimam que o cenário para essas espécies tende a se agravar.

“A gente tem um cenário muito ruim para essas espécies futuramente, que elas podem vir a desaparecer”, disse.

No Rio Grande do Norte, um dos principais ambientes onde esses organismos são encontrados são os parrachos de Rio do Fogo, localizados a cerca de 75 quilômetros de Natal. Além dos efeitos das mudanças climáticas, os pesquisadores destacam que ações humanas podem agravar a situação dos corais.

Por isso, Guilherme Longo orienta que visitantes desses ambientes evitem qualquer contato com os organismos e adotem práticas que reduzam impactos sobre o ecossistema.

“O que a gente pode fazer para ajudar essas espécies é justamente reduzir impactos que a gente faz localmente. Se a gente está visitando um parracho, tentar não pisar, não tocar nos animais, controlar a poluição, não jogar lixo, tentar manter esses animais na melhor condição possível para que eles possam se recuperar desses impactos recentes e dos impactos possíveis que virão. E, obviamente, isso depende de uma ação coordenada para diminuir as emissões de gases de efeito estufa, para realmente resolver as questões de mudanças climáticas que o planeta todo tem realizado”, concluiu o pesquisador.

Os pesquisadores destacam que os impactos do aquecimento global não se restringem às temperaturas elevadas, às chuvas intensas e à instabilidade climática observadas em terra. Nos oceanos, o aumento da temperatura ameaça ecossistemas inteiros, afetando organismos fundamentais para a manutenção da biodiversidade marinha e do equilíbrio ambiental.