O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira 2 que já considera a possibilidade de Michelle Bolsonaro não disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. A avaliação foi feita dois dias após uma reunião em que o dirigente tentou convencer a ex-primeira-dama a manter a pré-candidatura.
Segundo Valdemar, Michelle demonstrou estar decidida a se afastar da disputa. Diante desse cenário, o partido começou a avaliar outros nomes para ocupar o espaço na chapa.

“Não acredito que será candidata. Ela estava muito determinada e me disse que não deve ser candidata ao Senado”, afirmou Valdemar ao jornal O Globo.
A conversa entre os dois ocorreu na terça-feira 30, na residência do presidente do PL. Na ocasião, Valdemar tentou convencer Michelle a seguir na corrida pelo Senado, permanecer no comando do PL Mulher e comparecer a uma reunião organizada pela pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro com foco no eleitorado feminino.
A ex-primeira-dama, porém, rejeitou os três pedidos. Ela afirmou estar cansada da política, reclamou da falta de participação nas principais decisões partidárias e indicou que a crise com o enteado pesou na reavaliação de seu envolvimento com a campanha eleitoral.
Com a eventual saída de Michelle da disputa, Valdemar passou a mencionar publicamente possíveis substitutos.
“Temos a Bia (Kicis) e o Izalci (Lucas)”, declarou.
Os nomes citados são os da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e do senador Izalci Lucas (PL-DF). Entre integrantes da pré-campanha de Flávio, Izalci já é visto como a alternativa mais natural caso Michelle confirme a decisão de não concorrer.
O senador vinha se movimentando para disputar o governo do Distrito Federal, mas perdeu espaço depois que o PL decidiu apoiar a candidatura da atual governadora, Celina Leão (PP).
Apesar de considerar pouco provável uma mudança de posição de Michelle em relação à eleição para o Senado, Valdemar afirmou que continuará trabalhando para mantê-la envolvida na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
“Precisamos da Michelle na campanha do Flávio. Ela é muito querida. Estaremos sempre juntos. Ela tem muito prestígio”, disse.
Na quarta-feira 1º, um dia após o encontro com a ex-primeira-dama, Valdemar recebeu Flávio Bolsonaro. A reunião ocorreu enquanto a direção do PL busca reduzir os impactos políticos do rompimento entre o senador e a madrasta. O presidente da legenda, no entanto, afirmou que a crise não esteve na pauta e que a conversa se concentrou na organização da estrutura da pré-campanha ao Palácio do Planalto.
Desde que tornou público o afastamento do enteado, Michelle deixou a presidência do PL Mulher e comunicou a aliados que não pretende apoiar a candidatura presidencial de Flávio. De acordo com interlocutores, ela também considera improvável uma reconciliação antes das eleições.
Mesmo diante desse quadro, Valdemar tenta evitar que a ex-primeira-dama se afaste definitivamente da campanha nacional. Para a direção do PL, Michelle continua sendo um dos principais ativos eleitorais da legenda junto às mulheres e ao público evangélico, segmentos considerados estratégicos para enfrentar a rejeição de Flávio Bolsonaro e ampliar a competitividade de sua candidatura à Presidência.