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Agronegócio

RN lidera alta na produção de ovos no NE

Estado ampliou em 49,4% o volume produzido entre 2024 e 2025, impulsionado pela expansão do plantel e por novos investimentos na avicultura de postura
Por O Correio de Hoje
30/06/2026 | 14:50

O Rio Grande do Norte registrou o maior crescimento da produção de ovos de galinha entre os Estados do Nordeste entre 2024 e 2025. Segundo o estudo Caderno Setorial, elaborado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste (BNB), o volume produzido passou de 41,7 milhões para 62,3 milhões de dúzias, expansão de 49,4% no período. O desempenho ficou muito acima da média regional, de 6,75%, e também superou o crescimento nacional, de 5,7%.

O avanço foi acompanhado pela ampliação do plantel de galinhas de postura no Estado. O número de aves destinadas à produção de ovos aumentou de 1,9 milhão para 2,8 milhões entre 2024 e 2025, crescimento de 47,9%. Um dos fatores que contribuíram para esse resultado foi a instalação, em 2024, de uma das principais empresas brasileiras do setor no Rio Grande do Norte, com consolidação das operações ao longo de 2025.

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Estado amplia produção em 49,4% entre 2024 e 2025, assume a quarta posição no Nordeste e atrai investimentos - Foto: josé aldenir

Com o crescimento, o Rio Grande do Norte passou a ocupar a quarta posição entre os maiores produtores de ovos do Nordeste, atrás apenas de Pernambuco, que produziu 329,6 milhões de dúzias em 2025, Ceará, com 234 milhões, e Bahia, com 92,9 milhões. O Estado ultrapassou a Paraíba, que produziu 55,1 milhões de dúzias no mesmo período. Além disso, enquanto o RN liderou a expansão da atividade, outros estados apresentaram crescimento mais moderado ou retração.

Segundo o levantamento, o Maranhão registrou alta de 10%, Sergipe de 9,7%, Piauí de 9,6%, Pernambuco de 7,1% e Paraíba de 5,7%. Já Ceará (-11,3%) e Bahia (-0,5%) apresentaram redução na produção. Dessa forma, o crescimento potiguar foi quase cinco vezes superior ao do segundo estado com maior expansão.

O estudo aponta ainda que o Rio Grande do Norte responde por cerca de 7% da produção nordestina de ovos, com expansão concentrada principalmente na região de Mossoró, onde atuam duas das três maiores empresas do segmento instaladas no estado. O desempenho reflete a ampliação da capacidade produtiva e o fortalecimento da cadeia da avicultura de postura.

Para o secretário estadual da Agricultura, da Pecuária e da Pesca, Guilherme Saldanha, o ambiente favorável para investimentos ajuda a explicar o avanço da atividade.

“Aqui nós temos um mercado muito atrativo, que ainda consome de outros Estados, ou seja, nossa demanda ainda é maior do que a oferta, por isso, há muito espaço para crescer. O que precisamos prestar atenção é nos custos dos nossos insumos”, afirmou.

Segundo o secretário, um dos principais desafios para ampliar a competitividade do setor é reduzir o custo da alimentação das aves.

“Temos conversado com o Governo do Estado sobre a Transnordestina, que já está no Ceará e precisa chegar ao RN para tornar o milho da região do Matopiba – que vem do Maranhão e do Piauí – mais barato, melhorando nossa competitividade. Esse é um ponto a ser observado”, acrescentou.

O cenário também é favorecido pelo crescimento do consumo. O Etene projeta que os brasileiros consumirão, em média, 307 ovos por pessoa em 2026, alta de 6,6% em relação ao ano anterior. Atualmente, 98,58% da produção nacional permanece destinada ao mercado interno, impulsionada pela busca por proteínas de alto valor nutricional e custo inferior ao de outras fontes de proteína animal.

Ao mesmo tempo, surgem oportunidades no mercado externo. O levantamento mostra que o Nordeste ampliou as exportações de ovos de consumo em 157,2% em volume e 136,7% em receita no primeiro quadrimestre de 2026. Pernambuco e Maranhão concentraram, respectivamente, 72% e 21% das exportações regionais, indicando espaço para que outros estados ampliem sua presença no comércio internacional.

Para o superintendente do Banco do Nordeste (BNB) no Rio Grande do Norte, Jeová Lins, a expansão da atividade também depende do acesso a financiamento e da organização da cadeia produtiva.

“O Banco do Nordeste tem atuado como parceiro estratégico dos produtores, não apenas oferecendo crédito com as melhores condições do mercado. Nosso Programa de Desenvolvimento Territorial, o Prodeter, trabalha na estruturação de cadeias produtivas do setor, o que cria um ambiente favorável para novos investimentos”, afirmou.

Em nota, a Secretaria da Agricultura destacou que a abertura de novos mercados dependerá do cumprimento de exigências sanitárias internacionais, da obtenção de certificações, da competitividade dos produtores e do fortalecimento das ações de promoção comercial. Segundo a pasta, a tendência é de ampliação gradual da inserção internacional da cadeia produtiva, acompanhando o crescimento da demanda global por alimentos e proteínas de qualidade.