As exportações do Rio Grande do Norte para os Estados Unidos registraram forte retração nos cinco primeiros meses de 2026, refletindo os impactos da crise comercial iniciada com a imposição de tarifas adicionais pelos norte-americanos em 2025. Dados da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o Estado exportou US$ 24,7 milhões para o mercado americano entre janeiro e maio deste ano, uma queda de 60,8% em relação ao mesmo período de 2025. A redução representa US$ 38,2 milhões a menos em vendas e fez a participação dos Estados Unidos cair para 5,1% das exportações potiguares.
O desempenho tornou-se ainda mais negativo em maio. No comparativo com o mesmo mês do ano passado, as exportações do Rio Grande do Norte para os Estados Unidos recuaram 87,2%, equivalente a uma redução de US$ 26,1 milhões no valor embarcado. O resultado evidencia que, mesmo após mudanças na política tarifária americana, diversos segmentos da economia potiguar continuam enfrentando dificuldades para recuperar espaço naquele mercado.

A retração ocorre cerca de dez meses após a adoção do chamado “tarifaço”, quando o governo dos Estados Unidos aplicou uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros. Embora essa medida tenha sido revogada pela Suprema Corte norte-americana em fevereiro deste ano, posteriormente substituída por uma tarifa global de 10%, representantes do setor produtivo avaliam que a deterioração da relação diplomática entre os dois países continua produzindo efeitos sobre o comércio bilateral.
Parte das empresas conseguiu reduzir a dependência do mercado norte-americano por meio da abertura de novos destinos para seus produtos. Outros segmentos, entretanto, permanecem fortemente vinculados às compras dos Estados Unidos e ainda enfrentam dificuldades para recompor os volumes exportados. A avaliação é que o reposicionamento comercial exige tempo, investimentos e consolidação de novos canais de distribuição internacional.
Os dados históricos mostram que os primeiros reflexos do aumento tarifário já haviam aparecido em 2025. Entre janeiro e julho daquele ano, período anterior à entrada em vigor da sobretaxa, o Rio Grande do Norte exportou US$ 580,23 milhões. De agosto a dezembro, já sob o impacto das novas tarifas, o valor embarcado caiu para US$ 547,52 milhões, redução de 5,6%. Ao longo de todo o ano passado, os Estados Unidos responderam por 8,1% das exportações potiguares, totalizando US$ 91,28 milhões.
As informações integram o e-book Panorama do Comércio Exterior e das Relações Internacionais do Rio Grande do Norte 2025, elaborado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec). O estudo acompanha a evolução das vendas externas do Estado e aponta que a diversificação de mercados ganhou importância diante do aumento das incertezas nas relações comerciais com os Estados Unidos.
O cenário também é acompanhado com atenção pelo setor exportador em razão das negociações em andamento entre os governos brasileiro e norte-americano sobre uma possível revisão das tarifas aplicadas aos produtos brasileiros. Enquanto Brasília busca um acordo para evitar novas barreiras comerciais, empresários avaliam que uma normalização das relações poderá ser decisiva para a recuperação das exportações potiguares ao mercado dos Estados Unidos, tradicional destino de produtos como pescados, frutas, sal, petróleo e derivados industriais.