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Caso Orelha

Jovem citado no caso Orelha divulga novo vídeo e cita investigação

Igor Zampieri afirma que análise do caso registrou imagens dele cuidando de cães, questiona julgamentos nas redes sociais e volta a defender a inocência dos adolescentes.
Redação
30/06/2026 | 09:34

O jovem Igor Zampieri, citado no caso do cão Orelha, publicou a segunda parte de seu pronunciamento nas redes sociais nesta segunda-feira. No vídeo, ele afirma que decidiu apresentar trechos do que diz constar na investigação para rebater as acusações de maus-tratos que recebeu durante a repercussão do caso e sustentar que os fatos analisados pela apuração contradizem a imagem que, segundo ele, foi criada nas redes sociais.

O novo pronunciamento foi divulgado poucos dias após a primeira manifestação pública de Igor. Na ocasião, ele afirmou que permaneceu em silêncio por orientação jurídica, disse ter sido “julgado pela internet” antes da conclusão das investigações e negou envolvimento na morte do cão.

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Jovem questiona condenação nas redes em novo vídeo sobre caso Orelha - Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Desta vez, Igor afirma que muitas pessoas criticaram o primeiro vídeo por não trazer informações inéditas. Segundo ele, o novo conteúdo apresenta elementos extraídos da própria investigação.

“Depois do meu primeiro vídeo, muitas pessoas comentaram que eu apareci, mas que eu não mostrei nada de novo. Então hoje eu vim mostrar pra vocês algo que vocês não viram. Não é a minha opinião, não é uma versão minha, isso é o que tá na própria investigação.”

Durante o vídeo, ele exibe imagens nas quais aparece interagindo com um cachorro, tentando afastá-lo de um local e oferecendo água. Em seguida, afirma que esse material foi analisado durante a investigação.

“Durante vários meses, milhares de pessoas falaram como eu era uma pessoa cruel, como eu maltratava os animais, como eu podia fazer as piores coisas do mundo, mas quando analisaram horas e mais horas de vídeos, isso foi o que encontraram.”

Igor também afirma que a conclusão apresentada não foi elaborada por sua defesa, mas decorrente da análise do material investigado.

“Eu não tô me defendendo, não fui eu que escrevi isso, isso foi resultado da análise feita dentro da investigação.”

No pronunciamento, ele relata que cresceu convivendo com animais e diz que sempre aprendeu a cuidar deles.

“Eu cresci rodeado de animais, tenho um cachorro desde criança. Atualmente eu tenho três cachorros em casa. Aprendi desde pequeno a proteger e cuidar dos animais.”

O jovem também questiona a forma como, segundo ele, as acusações ganharam força antes da conclusão das investigações.

“Se a investigação identificou comportamento meu cuidando de um cachorro, se tem vídeo meu dando água potável pro cachorro, fazendo carinho em um cachorro, como as pessoas tiveram tanta certeza pra dizer exatamente o contrário nas redes sociais? Como que alguém pode ser condenado por milhões de pessoas na internet sem que os fatos sejam analisados?”

Ao final, Igor afirma que pretende divulgar novas informações sobre o caso e declara apoio à criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs).

“Talvez essa seja a parte mais perigosa de toda essa história. Porque quando uma narrativa viraliza, as pessoas param de buscar a verdade. Essa verdade está em outros fatos e informações que eu ainda vou trazer pra vocês.”

“E só pra lembrar, eu sou a favor da CPI, tanto estadual quanto federal. Isso só vai mostrar mais uma vez que eu e todos os adolescentes somos inocentes.”

RELEMBRE O CASO

O caso do cão Orelha ganhou repercussão nacional após o animal, conhecido por circular pela Praia Brava, em Florianópolis (SC), aparecer ferido e morrer dias depois. A Polícia Civil chegou a apontar adolescentes como suspeitos de agredir o cachorro, e o caso mobilizou manifestações, campanhas nas redes sociais e pedidos de punição aos envolvidos.

Com o avanço das investigações, porém, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou o arquivamento do procedimento envolvendo os adolescentes. Segundo o órgão, uma nova análise de quase dois mil arquivos — entre vídeos, imagens, laudos periciais e dados extraídos de celulares — concluiu que não havia elementos para responsabilizá-los pela morte do animal.

De acordo com o MPSC, as provas indicaram que os adolescentes e o cão não estiveram juntos no horário inicialmente apontado pela investigação. Os laudos veterinários também apontaram que Orelha apresentava um quadro de doença grave e afastaram sinais de agressão recente, concluindo que o animal foi submetido à eutanásia em razão de seu estado de saúde.

Após o pedido de arquivamento, Igor Zampieri, um dos jovens citados durante a repercussão do caso, iniciou uma série de vídeos nas redes sociais para apresentar sua versão dos fatos. No primeiro pronunciamento, afirmou que permaneceu em silêncio por orientação jurídica e disse ter sido “julgado pela internet”. No segundo vídeo, divulgado nesta semana, voltou a defender sua inocência, exibiu trechos que afirma integrarem a investigação e declarou que as imagens mostram seu comportamento de cuidado com animais. Também afirmou apoiar a instalação de CPIs sobre o caso, dizendo acreditar que elas “vão mostrar mais uma vez que eu e todos os adolescentes somos inocentes”.