O Ministério das Relações Exteriores confirmou nesta quarta-feira (25) que acompanha o caso do brasileiro Herik Soares, de 23 anos, natural de Castanhal, no Pará, capturado por militares russos durante a guerra na Ucrânia. A Embaixada do Brasil em Moscou mantém contato com a família do jovem e busca informações junto às autoridades russas sobre as circunstâncias da detenção e sua situação atual.
A repercussão do caso ganhou força após a divulgação de um vídeo em que Herik aparece chorando, pede perdão à mãe por ter retornado à Ucrânia e afirma ter sido enganado por uma promessa de trabalho. Segundo o brasileiro, ele esteve no Brasil em 2025, mas decidiu voltar ao país europeu apesar dos alertas da família.

“Mãe, me perdoe por não ter escutado o que senhora disse logo que cheguei ao Brasil no ano passado, e ter voltado aqui para esse inferno (…) para uma guerra que não é minha”, afirmou.
No vídeo, Herik relata que aceitou a proposta acreditando que trabalharia em uma função de apoio, distante da linha de frente dos combates. Segundo ele, a oferta previa um serviço na retaguarda, mas, ao chegar à Ucrânia, foi enviado diretamente para operações militares.
“De uma propaganda mentirosa da Ucrânia vim parar na Ucrânia no intuito de um serviço na retaguarda, de trabalhar em um local seguro, e eles mentiram para mim”, declarou.
O paraense afirma que foi deslocado para confrontos intensos sem ter sido informado previamente de que atuaria como combatente. “Me enviaram para a linha de frente, para o combate, confronto intenso, e não era isso que me prometeram. Não era isso o acordo. Meu serviço não era de combatente, e sim na retaguarda”, disse.
Além de manifestar arrependimento pela decisão de retornar ao conflito, Herik faz um apelo para que outros brasileiros não aceitem propostas relacionadas à guerra motivadas por promessas de remuneração. Segundo ele, o pagamento oferecido não compensa os riscos envolvidos nem o sofrimento causado às famílias. O jovem também afirma que estrangeiros seriam tratados como “descartáveis” nas tropas.
O episódio ocorre em um momento em que o governo brasileiro reforça os alertas sobre o recrutamento de cidadãos para conflitos armados no exterior. Em fevereiro deste ano, o Itamaraty publicou comunicado recomendando que brasileiros recusem convites para integrar forças militares estrangeiras ou aceitar ofertas de trabalho vinculadas a guerras.
Na ocasião, o ministério advertiu que pessoas alistadas podem enfrentar dificuldades para deixar as zonas de conflito e que a assistência consular pode ser limitada em razão das obrigações assumidas durante o recrutamento. A orientação também destaca que esse tipo de decisão pode gerar riscos graves e consequências duradouras para os envolvidos.
Em nota, o Itamaraty informou que “a atuação consular segue regras da legislação nacional e internacional” e que “não divulga informações pessoais de cidadãos que procuram os serviços consulares”. O órgão acrescentou que mantém contato com a família de Herik Soares e com as autoridades russas para obter mais informações sobre o caso.
Até a última atualização, o governo brasileiro não havia informado em quais condições o jovem está detido nem se existem negociações em andamento para uma eventual repatriação. O caso segue sob acompanhamento da diplomacia brasileira.