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Guerra na Ucrânia

Brasileiro é preso pela Rússia na Ucrânia

Jovem paraense de 23 anos aparece em vídeo afirmando que foi enganado por promessa de trabalho e enviado para a linha de frente do conflito
Por O Correio de Hoje
26/06/2026 | 14:23

O Ministério das Relações Exteriores confirmou nesta quarta-feira (25) que acompanha o caso do brasileiro Herik Soares, de 23 anos, natural de Castanhal, no Pará, capturado por militares russos durante a guerra na Ucrânia. A Embaixada do Brasil em Moscou mantém contato com a família do jovem e busca informações junto às autoridades russas sobre as circunstâncias da detenção e sua situação atual.

A repercussão do caso ganhou força após a divulgação de um vídeo em que Herik aparece chorando, pede perdão à mãe por ter retornado à Ucrânia e afirma ter sido enganado por uma promessa de trabalho. Segundo o brasileiro, ele esteve no Brasil em 2025, mas decidiu voltar ao país europeu apesar dos alertas da família.

brasileiro na Rússia
Capturado por militares na guerra da Ucrânia, paraense quer volta para casa - Foto: reprodução / internet

“Mãe, me perdoe por não ter escutado o que senhora disse logo que cheguei ao Brasil no ano passado, e ter voltado aqui para esse inferno (…) para uma guerra que não é minha”, afirmou.

No vídeo, Herik relata que aceitou a proposta acreditando que trabalharia em uma função de apoio, distante da linha de frente dos combates. Segundo ele, a oferta previa um serviço na retaguarda, mas, ao chegar à Ucrânia, foi enviado diretamente para operações militares.

“De uma propaganda mentirosa da Ucrânia vim parar na Ucrânia no intuito de um serviço na retaguarda, de trabalhar em um local seguro, e eles mentiram para mim”, declarou.

O paraense afirma que foi deslocado para confrontos intensos sem ter sido informado previamente de que atuaria como combatente. “Me enviaram para a linha de frente, para o combate, confronto intenso, e não era isso que me prometeram. Não era isso o acordo. Meu serviço não era de combatente, e sim na retaguarda”, disse.

Além de manifestar arrependimento pela decisão de retornar ao conflito, Herik faz um apelo para que outros brasileiros não aceitem propostas relacionadas à guerra motivadas por promessas de remuneração. Segundo ele, o pagamento oferecido não compensa os riscos envolvidos nem o sofrimento causado às famílias. O jovem também afirma que estrangeiros seriam tratados como “descartáveis” nas tropas.

O episódio ocorre em um momento em que o governo brasileiro reforça os alertas sobre o recrutamento de cidadãos para conflitos armados no exterior. Em fevereiro deste ano, o Itamaraty publicou comunicado recomendando que brasileiros recusem convites para integrar forças militares estrangeiras ou aceitar ofertas de trabalho vinculadas a guerras.

Na ocasião, o ministério advertiu que pessoas alistadas podem enfrentar dificuldades para deixar as zonas de conflito e que a assistência consular pode ser limitada em razão das obrigações assumidas durante o recrutamento. A orientação também destaca que esse tipo de decisão pode gerar riscos graves e consequências duradouras para os envolvidos.

Em nota, o Itamaraty informou que “a atuação consular segue regras da legislação nacional e internacional” e que “não divulga informações pessoais de cidadãos que procuram os serviços consulares”. O órgão acrescentou que mantém contato com a família de Herik Soares e com as autoridades russas para obter mais informações sobre o caso.

Até a última atualização, o governo brasileiro não havia informado em quais condições o jovem está detido nem se existem negociações em andamento para uma eventual repatriação. O caso segue sob acompanhamento da diplomacia brasileira.