O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou nesta quarta-feira 24 o cargo de líder do governo no Senado, seis dias após ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A decisão foi tomada durante reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada, em meio à pressão de integrantes do PT e do Palácio do Planalto para que o parlamentar se afastasse da função.
Segundo relatos, Wagner afirmou a Lula que jamais atuou no Congresso para favorecer interesses do Banco Master e disse se sentir “injustiçado”. Ainda assim, informou que preferia deixar a liderança para evitar desgastes à campanha do presidente à reeleição.

O substituto ainda não foi definido. Entre os nomes cotados para assumir a liderança do governo estão os senadores Camilo Santana e Teresa Leitão.
Nos bastidores, Lula aguardava que o próprio Wagner tomasse a iniciativa de se afastar, evitando a necessidade de demiti-lo. O senador, que disputará a reeleição pela Bahia, resistia à saída sob o argumento de que a medida poderia ser interpretada como uma admissão de culpa.
Com a avaliação de que a permanência de Wagner no cargo já provocava desgaste ao governo, dirigentes do PT intensificaram as conversas para convencê-lo a deixar a função, sustentando que o afastamento lhe daria melhores condições para conduzir sua defesa.
Após o encontro com Lula, Wagner divulgou uma nota nas redes sociais informando que a decisão foi consensual.
“Acabei de ter uma ótima reunião com o presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal”, escreveu.
Na mesma publicação, o senador afirmou que pretende concentrar esforços na defesa das acusações e nas eleições de 2026.
“Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado. Juntos, com humildade e muito trabalho, renovaremos nosso compromisso com o projeto coletivo que vem mudando a Bahia e o Brasil”, declarou.
Jaques Wagner é um dos investigados na nona fase da Operação Compliance Zero. A apuração envolve a suspeita de que ele tenha recebido vantagem indevida do Banco Master por meio da aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, em Salvador, do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco.
Além desse imóvel, a investigação da Polícia Federal identificou repasses de R$ 3,5 milhões feitos por Augusto Lima a uma empresa pertencente ao enteado e à nora do senador. As suspeitas seguem sendo apuradas pelas autoridades, enquanto Wagner nega qualquer irregularidade.