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Saúde

Sódio baixo provoca confusão mental

Hiponatremia é mais comum na população idosa devido às mudanças no organismo e ao uso frequente de medicamentos; condição pode provocar sonolência, confusão mental e exigir hospitalização em casos graves
Por O Correio de Hoje
24/06/2026 | 14:42

A redução dos níveis de sódio no sangue, condição conhecida na medicina como hiponatremia, pode causar desde alterações cognitivas leves até quadros graves de rebaixamento do nível de consciência em idosos. O alerta foi feito pelo médico geriatra Jair Segundo durante participação no quadro Check-up no Rádio, do programa Panorama 95, da Rádio 95 FM de Caicó.

Segundo o especialista, o sódio desempenha papel fundamental no equilíbrio entre água e sais do organismo e tem relação direta com o funcionamento do sistema nervoso central. Por isso, alterações nos níveis da substância podem provocar sintomas neurológicos importantes, especialmente na população idosa.

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Médico geriatra Jair Segundo em entrevista - Foto: reprodução

“O sódio baixo em idosos acaba sendo um dos muitos vilões silenciosos da população idosa: a hiponatremia. O sódio é um dos íons, é uma das moléculas, um dos sais que o nosso corpo utiliza para o seu funcionamento e ele interage principalmente com o funcionamento do sistema nervoso central”, explicou.

De acordo com Jair Segundo, o problema está relacionado à alteração do equilíbrio entre sal e água no organismo, o que interfere diretamente no comportamento das células cerebrais. “A gente está falando do equilíbrio de sal e água do nosso corpo de forma geral, mas a gente vai falar principalmente em repercussões cognitivas.”

O médico explicou que essas alterações podem modificar a quantidade de água dentro das células do sistema nervoso. “Vai levar a alterações no equilíbrio de sal e água do corpo e isso vai deixar com que as células do sistema nervoso fiquem ou mais murchas ou mais cheias, ou mais túrgidas, levando a essas alterações neurológicas.”

Segundo o geriatra, o envelhecimento torna o organismo mais suscetível às oscilações dos níveis de sódio. Isso ocorre porque o corpo passa por mudanças na composição corporal e na distribuição de água. “O idoso, por si só, tem uma mudança na conformação corporal e na distribuição da água no corpo de forma geral comparada ao adulto jovem. O idoso tem menos reserva hídrica e desidrata muito mais fácil.”

Essa dificuldade de manter o equilíbrio hídrico aumenta a vulnerabilidade aos efeitos da hiponatremia. “Essa dificuldade de manter o equilíbrio da homeostase, o equilíbrio do sódio e da água, faz com que o idoso esteja muito mais sensível àquele sódio baixo.”

Entre os sintomas mais comuns estão sonolência, lentidão do raciocínio e alterações cognitivas. Nos casos mais graves, a condição pode exigir internação hospitalar. “O idoso pode ter maior sonolência, pode ter alteração da velocidade do pensamento e, em casos mais graves, quando o sódio adquire valores mais baixos, o idoso pode ter enjoo, vômito, acaba levando inclusive a um estado de coma, um estado de rebaixamento do nível de consciência, necessitando de hospitalização.”

Jair Segundo destacou que a principal causa da hiponatremia em idosos costuma estar relacionada ao uso de medicamentos amplamente prescritos para doenças crônicas. Entre eles está a hidroclorotiazida, um dos diuréticos mais utilizados no tratamento da hipertensão arterial.

Também foram citados antidepressivos e medicamentos usados para ansiedade. “Os ISRS, que são as classes dos medicamentos para ansiedade, para depressão, para controle de sintomas comportamentais, como escitalopram, citalopram, sertralina, duloxetina, venlafaxina, todos esses medicamentos também baixam muito o sódio.” Além deles, anticonvulsivantes podem contribuir para o problema. “Anticonvulsivantes como carbamazepina e oxcarbazepina também baixam muito o sódio.”

Segundo o médico, apenas aumentar a ingestão de sal não resolve a situação. “Porque o idoso está perdendo sal por alguma das vias.”

Ele explica que a investigação da causa é fundamental para o tratamento adequado. Questionado sobre uma possível relação entre pressão alta e sódio baixo, Jair Segundo esclareceu que a hipertensão não é a causa direta da hiponatremia.

Ele também comentou que a restrição de sal recomendada para hipertensos dificilmente leva, sozinha, à queda perigosa dos níveis de sódio. O especialista reforçou que orientações para redução do consumo de sal continuam válidas para pacientes com hipertensão, insuficiência cardíaca e doenças hepáticas.

Ultraprocessados

O geriatra também comentou o impacto dos alimentos ultraprocessados na saúde. “Os ultraprocessados, que são grandes vilões da alimentação, tanto do idoso quanto da população em geral, são coisas a se evitar.”

Segundo ele, produtos como presunto, salsicha e alimentos industrializados possuem alto teor de sódio utilizado como conservante. “Eles têm conservantes, têm maior teor de sódio para sua conservação a longo prazo e eles, sim, fazem mal.”

O médico ressaltou que esses alimentos estão associados a diversas doenças. “Muitos já são classificados como alimentos que predispõem a câncer, outros a gente sabe que predispõem a doenças de intestino.”

Automedicação

Ao comentar a percepção de que muitas pessoas vivem doentes por causa dos remédios, Jair Segundo afirmou que medicamentos podem provocar efeitos adversos, especialmente quando utilizados sem acompanhamento médico. “O medicamento pode fazer mal, com certeza.”

Ele destacou que a automedicação e o uso simultâneo de vários remédios elevam os riscos. “Na geriatria é muito comum que o paciente precise de muitos medicamentos, a polifarmácia. E a gente sabe hoje que também tem muitos medicamentos utilizados por conta própria, no contexto da automedicação.”

Para o geriatra, o acompanhamento regular é essencial para reduzir complicações e garantir o uso seguro das medicações. “Medicamento é uma faca de dois gumes. Tem que saber a indicação e tem que saber os efeitos adversos, e principalmente ter um médico que faça a gerência desse quadro como um todo.”