A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova alternativa terapêutica para mulheres que enfrentam ondas de calor e suores noturnos durante a menopausa. O medicamento, comercializado com o nome Veoza e desenvolvido pela Astellas Farma, é uma terapia não hormonal em comprimidos indicada para o tratamento dos chamados sintomas vasomotores, considerados uma das manifestações mais comuns e incômodas dessa fase da vida.
A aprovação representa a chegada ao mercado brasileiro de uma nova opção para pacientes que não podem ou não desejam utilizar a terapia de reposição hormonal, considerada atualmente o tratamento padrão para o controle desses sintomas. Diferentemente da reposição hormonal, o novo medicamento atua diretamente nos mecanismos cerebrais responsáveis pela regulação da temperatura corporal.

Administrado por via oral, em dose diária, o tratamento foi desenvolvido para reduzir a frequência e a intensidade das ondas de calor e dos episódios de suor noturno que afetam milhões de mulheres durante o climatério e a menopausa.
“A aprovação de fezolinetanto pela Anvisa representa um avanço crucial na saúde da mulher, respondendo a uma necessidade significativa e, muitas vezes, subestimada, enfrentada por milhares de mulheres na menopausa. Historicamente, as opções não hormonais para o manejo dos sintomas vasomotores (calorões) eram limitadas a algumas classes, e este novo tratamento não hormonal oferece uma nova possibilidade”, explica o ginecologista Nilson Roberto de Melo, presidente da Associação Brasileira de Climatério, em comunicado.
Os sintomas vasomotores estão entre as principais queixas das mulheres durante a menopausa. As ondas de calor e os suores noturnos atingem aproximadamente 80% das mulheres entre 40 e 65 anos, podendo provocar impactos importantes na qualidade de vida, no desempenho profissional, no humor e na qualidade do sono.
Segundo especialistas, a origem desses sintomas está relacionada às alterações hormonais que ocorrem nessa fase da vida. Antes da menopausa, existe um equilíbrio entre os níveis de estrogênio — hormônio produzido pelos ovários — e a neurocinina B (NKB), substância envolvida no controle da temperatura corporal no cérebro.
Com a chegada da menopausa, a produção de estrogênio diminui significativamente, alterando esse equilíbrio. Como consequência, o centro de regulação térmica localizado no hipotálamo passa a interpretar pequenas variações de temperatura como se fossem excessivas, desencadeando ondas de calor e episódios de sudorese intensa.
O novo medicamento age justamente nesse mecanismo. De acordo com a Associação Brasileira de Climatério, a terapia ajuda a restabelecer o equilíbrio no sistema responsável pelo controle da temperatura corporal, reduzindo a frequência dos sintomas e diminuindo seu impacto sobre a rotina das pacientes.
A aprovação ocorre em um contexto em que a menopausa tem recebido atenção crescente de especialistas e entidades médicas devido à elevada prevalência dos sintomas e aos reflexos sobre a saúde física e emocional das mulheres.
Dados apresentados pela SOBRAC mostram que, no Brasil, 36,2% das mulheres entre 40 e 65 anos relatam sintomas de menopausa classificados como moderados ou intensos. O percentual é mais que o dobro da média global, estimada em 15,6%.
Os números também indicam que as brasileiras convivem com sintomas mais severos do que mulheres de diversos outros países. Entre aquelas que apresentam manifestações da menopausa, aproximadamente 70% classificam as ondas de calor e os suores noturnos como intensos, condição frequentemente associada à piora da qualidade de vida, da produtividade e do descanso noturno.
Além do desconforto físico, especialistas alertam que os sintomas podem contribuir para alterações emocionais, irritabilidade, fadiga, dificuldade de concentração e prejuízos ao bem-estar geral. Por isso, a ampliação das opções terapêuticas é vista como uma estratégia importante para individualizar o tratamento e oferecer alternativas para diferentes perfis de pacientes.
Com a aprovação da Anvisa, o medicamento passa a integrar o conjunto de recursos disponíveis para o manejo dos sintomas da menopausa.