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G7

Trump aperta mão de Lula e diz “good job” após discurso no G7

O gesto ocorreu um dia após discurso em que Lula criticou protecionismo, unilateralismo e defendeu a soberania dos países
Redação
17/06/2026 | 11:29

Um breve aperto de mãos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcou os bastidores da Cúpula do G7, realizada em Évian, na França. O encontro ocorreu nesta quarta-feira (17), um dia após Lula fazer um discurso com críticas ao protecionismo, ao unilateralismo e defender a soberania dos países em desenvolvimento diante dos líderes das maiores economias do mundo.

O momento foi registrado pelo jornalista Jamil Chade. Nas imagens, Trump passa por Lula, aperta sua mão e deseja “good job” (“bom trabalho”) ao presidente brasileiro. A interação foi a primeira registrada publicamente entre os dois líderes durante o encontro internacional.

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Encontro entre Lula e Trump ocorreu um dia após discurso do brasileiro com críticas ao protecionismo e ao unilateralismo - Foto: Ricardo Stuckert

No dia anterior, durante a foto oficial do G7, Lula e Trump apareceram próximos, mas sem cumprimento, conversa pública ou qualquer interação registrada. O episódio ganhou repercussão após o discurso do presidente brasileiro na terça-feira (16), quando ele fez críticas a políticas associadas à atual atuação internacional dos Estados Unidos, embora sem citar Trump nominalmente.

Durante sua participação na cúpula, Lula afirmou que “o neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias”. Em seguida, declarou: “Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”.

O presidente brasileiro também abordou o combate ao crime organizado e defendeu que essa atuação “deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados”. A declaração ocorreu em meio à pressão dos Estados Unidos para classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, medida rejeitada pelo governo brasileiro.

Lula ainda criticou a redução da ajuda internacional aos países em desenvolvimento. Segundo ele, “os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe”. O presidente citou queda de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, redução de cerca de 40% dos recursos destinados ao Programa Mundial de Alimentos e cortes superiores a 20% nos orçamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Ao defender mudanças na governança global, Lula afirmou que os países em desenvolvimento transferem anualmente US$ 1,4 trilhão em serviços da dívida, valor que, segundo ele, supera em sete vezes o montante recebido em ajuda internacional. “Precisamos de um sistema financeiro no qual os países não sejam obrigados a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças”, disse.

Convidado pela presidência francesa, Lula participou pela décima vez de uma reunião do G7 ou G8 desde 2003. Em seu discurso, também defendeu mecanismos de financiamento climático, investimentos sociais, combate à fome e maior participação dos países detentores de minerais críticos nas etapas de industrialização e agregação de valor das cadeias produtivas.