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Política

Eduardo Bolsonaro é condenado no STF por coação em processo sobre trama golpista

Decisão foi tomada pela Primeira Turma do STF
Redação
16/06/2026 | 17:33

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta terça-feira 16 o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) por tentativa de interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na chamada trama golpista.

O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, votou pela condenação e foi acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, presidente da Primeira Turma.

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Eduardo Bolsonaro é condenado no STF por coação em processo sobre trama golpista - Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

Moraes entendeu que há elementos que comprovam que Eduardo Bolsonaro praticou o crime de coação no curso do processo, conforme apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Eduardo é acusado de promover, junto ao governo Donald Trump, nos Estados Unidos, ações com o objetivo de criar um clima de instabilidade e temor, com ameaças e projeção de retaliações estrangeiras contra ministros do Supremo e o Brasil.

Segundo a Procuradoria, as ações tinham como objetivo impedir que o ex-presidente Jair Bolsonaro fosse condenado na investigação.

Durante o julgamento, Moraes rejeitou a argumentação da defesa de que o deputado estaria protegido pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar.

“Não é função de deputado federal brasileio fazer lobby no exterior contra o próprio país. Mesmo que estivesse no exercício do mandato e não licenciado, mesmo que estivesse no exercício, não estaria acobertado pela imunidade parlamentar”, afirmou.

O ministro também mencionou a permanência do réu no exterior.

“Até hoje em momento algum nem o próprio réu em qualquer lugar disse que mudou seu domicílio. Ele só disse que não volta para o Brasil por medo de responder pelos crimes que praticou. Pode o réu, qualquer réu, se beneficiar da própria torpeza”.

Moraes acrescentou:

“O processo penal não é palhaçada, a aplicação da justiça não é palhaçada. As normas existem para garantir o contraditório, a ampla defesa, dentro da paridade de armas, não para que fraudes e crimes praticados continuem se perpetuando”.

Ao tratar das condutas atribuídas ao réu, o relator afirmou:

“Nenhuma relação com atividade parlamentar, mas ameaças pretendendo com isso que seu pai não fosse condenado”.

O ministro Cristiano Zanin acompanhou integralmente o voto do relator.

“Essas publicações, manifestações, que duraram de janeiro a setembro de 2025, comprovam autoria e materialidade com esse intuito de coagir a atuação do STF na condução da ação penal 2668”, afirmou Zanin.

A ministra Cármen Lúcia também votou pela condenação.

“Houve sucessão de atos que comprovam um percurso criminoso para coagir os julgadores”, afirmou.

A denúncia contra Eduardo Bolsonaro foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República, que o acusa de atuar para interferir no julgamento envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.