O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou um vídeo em que declara apoio à pré-candidatura do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) ao Governo de Pernambuco, encerrando especulações sobre a possibilidade de manter dois palanques no estado. A manifestação ocorre dias após declarações do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, sugerirem que o presidente também poderia apoiar a governadora Raquel Lyra (PSD), que busca a reeleição.
A fala do ministro provocou forte reação entre aliados de João Campos. Integrantes do PSB rejeitaram a possibilidade de divisão do apoio presidencial e relataram que o próprio ex-prefeito procurou o presidente nacional do PT e coordenador da campanha petista, Edinho Silva, para cobrar esclarecimentos. Segundo interlocutores, Lula também orientou auxiliares a informar que seu apoio estaria restrito ao candidato socialista.

No vídeo, o presidente afirma que tanto ele quanto o PT estão ao lado de João Campos na disputa estadual. “O meu partido e eu estamos apoiando o João Campos para candidato a governador do estado de Pernambuco. Esse é um compromisso histórico e é um compromisso que é resultado de uma relação produtiva, uma relação que deu resultado, uma relação que trouxe muita coisa para Pernambuco”, declarou.
Lula também ressaltou a parceria nacional entre PT e PSB, classificando-a como a principal aliança política das duas legendas. Na gravação, lembrou ainda lideranças históricas do partido, como Miguel Arraes e Eduardo Campos, respectivamente bisavô e pai de João Campos, antes de concluir: “Queria dizer a vocês que nós estamos juntos de verdade, por isso quero desejar a vocês boa sorte e boa luta”.
O episódio expôs um desconforto que já vinha sendo registrado nos bastidores. Setores do governo federal, entre eles o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, defendiam a manutenção de uma relação política com Raquel Lyra, diante da expectativa de uma disputa presidencial equilibrada em 2026 e da necessidade de ampliar alianças regionais. A posição, porém, sempre encontrou resistência dentro do PSB.
Dirigentes da legenda tratam a eleição pernambucana como prioridade máxima para o partido e chegaram a sinalizar que um eventual apoio dividido de Lula poderia levar à revisão de alianças com o PT em outros estados.
O cenário eleitoral também mudou nas últimas semanas. João Campos era apontado como favorito, mas pesquisa Datafolha divulgada no fim de maio mostrou Raquel Lyra numericamente à frente, com 48% das intenções de voto, contra 43% do ex-prefeito. O levantamento também indicou vantagem da atual governadora em um eventual segundo turno, revertendo o quadro registrado em abril, quando João Campos aparecia com 12 pontos percentuais de vantagem sobre a adversária.