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Emendas

Base de Lula concentra mais emendas no Senado que bancada do PL

Levantamento aponta que senadores de PT, PSB e PDT tiveram média de recursos três vezes superior à destinada aos parlamentares do partido de Flávio Bolsonaro.
Por O Correio de Hoje
12/06/2026 | 15:23

Os senadores filiados a partidos que já confirmaram apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição receberam, em média, três vezes mais recursos provenientes de emendas de comissão do que os integrantes do Partido Liberal, maior bancada do Senado e partido do senador Flávio Bolsonaro. Os dados constam de levantamento realizado pelo jornal O Globo com base nas liberações efetuadas em 2026.

Segundo o estudo, parlamentares de PT, PSB e PDT tiveram, em média, R$ 34,1 milhões em emendas empenhadas neste ano. Já os senadores do PL receberam, em média, R$ 9,7 milhões por parlamentar.

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Aliados de Lula recebem mais emendas que PL no Senado - Foto: Senado

Além do PT, legenda do presidente, o PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, e o PDT já formalizaram participação na aliança que apoiará Lula nas eleições deste ano.

O senador que lidera o ranking individual é Cid Gomes, líder da bancada do PSB na Casa, que soma R$ 72,9 milhões em emendas de comissão. Candidato à reeleição no Ceará, ele deverá integrar a mesma chapa do PT no estado, enfrentando politicamente o grupo liderado por seu irmão, Ciro Gomes.

Os recursos oriundos das emendas parlamentares têm peso importante na articulação política junto aos prefeitos, considerados peças estratégicas nas campanhas eleitorais para o Senado.

Procurada, a Secretaria de Relações Institucionais negou tratamento privilegiado a partidos aliados e afirmou que a distribuição das emendas de comissão é responsabilidade das presidências das respectivas comissões do Congresso, conforme entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal.

“A SRI faz a gestão das liberações financeiras junto à Secretaria do Tesouro Nacional de acordo com a disponibilidade de recursos e mediante demanda dos ministérios”, informou a pasta.

Um exemplo citado pelo levantamento ocorreu em 27 de maio, quando o prefeito de Coreaú (CE), Edézio Sitonio, publicou agradecimento ao senador Cid Gomes pelo envio de R$ 1 milhão destinado à saúde do município.

“Agradecemos o nosso senador Cid Gomes pela ajuda de sempre. Hoje ele ligou dizendo que tinha destinado R$ 1 milhão para a saúde do nosso município. Já olhamos e está na conta. Nesse momento importante, nós inauguramos um centro cirúrgico, uma despesa muito grande, e você todos os anos tem ajudado a saúde do nosso município com emendas parlamentares”, afirmou o prefeito.

A portaria que formalizou o repasse foi publicada em 13 de maio e identifica Cid Gomes como solicitante da emenda, conforme exigência de transparência determinada pelo STF. O senador não comentou o assunto.

Outro parlamentar entre os mais contemplados é Weverton Rocha, que aparece na terceira posição, com R$ 55,7 milhões. Vice-líder do governo no Senado, ele relatou matérias de interesse do Planalto, entre elas as indicações de Flávio Dino e Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Procurado, o senador também não se manifestou.

Já os partidos com bancadas divididas entre governo e oposição — MDB, PP, PSD, Republicanos e União Brasil — registraram média de R$ 23,5 milhões por senador, valor superior ao dobro da média destinada aos parlamentares do PL.

O Palácio do Planalto vê nessas legendas espaço para ampliar sua base de sustentação, ainda que sem apoio formal das direções nacionais.

Também nesses partidos estão parlamentares considerados estratégicos para a aprovação de propostas que o governo pretende votar antes das eleições, como as PECs que tratam do fim da escala de trabalho 6×1 e da segurança pública.

A senadora Professora Dorinha, segunda colocada no ranking, recebeu R$ 63,2 milhões em emendas de comissão. Ex-vice-líder do governo no Senado, ela atribui o volume de recursos ao fato de presidir a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo.

“Os recursos que foram definidos para os senadores pelas emendas de comissão estão concentrados em três comissões. Eu sou presidente de uma delas, a de Desenvolvimento Regional e Turismo. Cidades e infraestrutura, Codevasf, Calha Norte e turismo ficam dentro da comissão”, explicou.

Na sequência aparecem os senadores Eduardo Braga, com R$ 52,2 milhões, e Marcelo Castro, com R$ 53,6 milhões. Ambos disputarão a reeleição e fecharam acordos políticos para integrar chapas ao lado do PT em seus estados. Nenhum dos dois comentou os números.

No total por partido, o PSD lidera a lista, com R$ 359 milhões em emendas de comissão empenhadas, seguido por MDB (R$ 313 milhões), PT (R$ 288 milhões) e PSB (R$ 255 milhões). Apesar de possuir a maior bancada do Senado, com 16 integrantes, o PL aparece apenas na quinta colocação, com R$ 155 milhões.

Entre os parlamentares da legenda, o maior volume de recursos foi destinado a Efraim Filho, que ocupa apenas a 44ª posição geral, com R$ 22,3 milhões. Já o senador Flávio Bolsonaro, apontado como principal adversário de Lula nas pesquisas presidenciais, teve R$ 12,7 milhões em emendas de comissão reservadas.

O levantamento considerou apenas os casos em que um único senador aparece identificado como solicitante da emenda no documento de empenho expedido pelo governo federal.

Diferentemente das emendas individuais e de bancada, cujo pagamento é obrigatório por determinação constitucional, as emendas de comissão têm caráter discricionário. Isso significa que cabe ao Poder Executivo decidir sobre o momento e a forma de liberação dos recursos, o que lhe confere margem para administrar o ritmo dos repasses ao longo do processo político e eleitoral.

Emendas de comissão por bloco partidário

Aliança de Lula (PT, PSB e PDT)

  • Total empenhado: R$ 614,5 milhões
  • Número de senadores: 18
  • Média por parlamentar: R$ 34,14 milhões

Centro (MDB, PP, PSD, Republicanos e União Brasil)

  • Total empenhado: R$ 893,9 milhões
  • Número de senadores: 38
  • Média por parlamentar: R$ 23,52 milhões

PL

  • Total empenhado: R$ 155,4 milhões
  • Número de senadores: 16
  • Média por parlamentar: R$ 9,71 milhões