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Aromaterapia

UFRN avalia uso de camomila para reduzir dor e ansiedade

Estudo investiga uso de aromaterapia durante recuperação de pacientes submetidos à angioplastia e busca ampliar evidências sobre práticas integrativas no SUS.
Por O Correio de Hoje
12/06/2026 | 13:14

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Rio Grande do Norte está avaliando os efeitos da aromaterapia com óleo essencial de Matricária Chamomilla na redução da dor e da ansiedade em pacientes submetidos à retirada de introdutor arterial femoral após angioplastia. O estudo é conduzido pela enfermeira e mestranda Amélia Lopes e foi apresentado durante entrevista ao programa Bando de Mulheres, da Band RN.

Intitulado “Efeito da aromaterapia com óleo essencial de matricária camomila na dor e ansiedade diante da retirada de introdutor arterial femoral: um ensaio clínico randomizado”, o trabalho investiga uma alternativa complementar para melhorar o bem-estar de pacientes durante o período de recuperação hospitalar.

camomila
Estudo utiliza óleo essencial de Matricária Chamomilla aplicado em algodão sobre o tórax - Foto: Reprodução

Segundo Amélia Lopes, trata-se de um ensaio clínico randomizado, considerado um modelo rigoroso de pesquisa científica realizada com seres humanos. Ela destacou que o estudo está inserido no campo das práticas integrativas e complementares, que fazem parte da política do Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2006.

“É uma pesquisa clínica feita com seres humanos e em uma área que está ganhando muito espaço, que são as práticas integrativas e complementares”, afirmou.

A pesquisadora observou que, embora essas práticas estejam previstas na política pública de saúde há duas décadas, ainda há pouca produção científica e investimento na área.

“As práticas integrativas e complementares estão na política do SUS desde 2006, mas não há muitas pesquisas, não há muito investimento, porque as pessoas estão mais acostumadas realmente com o modelo biomédico. A doença se trata com remédio. Mas as práticas integrativas vêm como uma oportunidade, uma alternativa complementar, não substituindo os remédios, mas complementando para melhorar o bem-estar dos pacientes.”

O estudo utiliza o óleo essencial de camomila aplicado em um algodão posicionado sobre o tórax do paciente durante a retirada do introdutor arterial femoral. O dispositivo é utilizado após procedimentos cardíacos, como a angioplastia.

“No caso da minha pesquisa, aplico um algodãozinho com óleo de camomila no tórax do paciente, enquanto está fazendo a retirada desse introdutor. O introdutor é um dispositivo que fica depois de uma cirurgia feita no coração, a angioplastia”, explicou.

De acordo com a pesquisadora, a retirada do dispositivo costuma provocar desconforto nos pacientes, o que motivou a investigação.

“Esse dispositivo fica na perna, normalmente incomoda a retirada, o paciente refere dor, ansiedade. É um desconforto já de estar no hospital. Então a minha proposta é trazer uma abordagem mais humanizada, que trate não só aquela dor, mas o desconforto do paciente no geral. Que veja ele para além de tecidos biológicos. Que veja a alma, que veja o espírito”, afirmou.

A escolha pela camomila também tem relação com a trajetória pessoal da pesquisadora. Segundo ela, apesar de existirem diversos estudos envolvendo outros óleos essenciais, como a lavanda, decidiu investigar a camomila por sua proximidade com a planta desde a infância.

“Existem vários tipos de óleos essenciais estudados para as mais diversas situações, seja para a melhoria da qualidade do sono, seja para a ansiedade, como o óleo de lavanda é muito estudado também, seja para questões gastrointestinais, dores. E aí existem bastante estudos sobre o óleo de lavanda e eu sempre estive muito próxima pessoalmente da camomila. Sou uma consumidora de camomila desde pequena, minha mãe também amava camomila, então eu decidi estudar o óleo de camomila por causa disso”, relatou.

Durante a entrevista, Amélia apresentou uma amostra do óleo utilizado na pesquisa e explicou que a substância é diluída em óleo vegetal para aumentar a segurança da aplicação.

“Ele é um óleo diluído. Para ficar mais seguro para os pacientes, ele precisa ser diluído em um óleo vegetal”, explicou.

Ela também ressaltou que o foco da investigação está nos compostos químicos presentes no óleo essencial.

“Eu sempre aviso para os pacientes que tem um cheirinho de mato. Tem gente que não gosta. Mas o que importa são os compostos químicos, que trazem calmaria, que melhoram sinais vitais. Pelo menos é o que está sendo estudado agora”, afirmou.

Além da pesquisa sobre aromaterapia, Amélia destacou a importância da produção científica realizada por mulheres e o papel da UFRN na formação de pesquisadores.