O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira 8 a suspensão da divulgação de uma pesquisa do instituto AtlasIntel em parceria com a Bloomberg que indicava recuo nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno da disputa presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O levantamento, divulgado em 19 de maio, ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 daquele mês por meio do método Atlas RDR (Recrutamento Digital Aleatório). A pesquisa mostrava uma queda de seis pontos percentuais no desempenho de Flávio Bolsonaro.

A decisão atende parcialmente a um pedido apresentado pela pré-campanha do senador. A defesa argumentou que o questionário teria sido elaborado de forma a influenciar negativamente a percepção dos entrevistados sobre o pré-candidato após a divulgação de mensagens trocadas entre Flávio e o empresário Daniel Vorcaro. As conversas tratavam do financiamento do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em nota, a AtlasIntel afirmou que a pesquisa seguiu critérios científicos rigorosos e ressaltou que o material relacionado ao áudio foi apresentado apenas na etapa final do questionário, depois que os entrevistados já haviam respondido às perguntas sobre intenção de voto. Segundo o instituto, não havia possibilidade de alterar respostas anteriores.
O CEO da empresa, Andrei Roman, reagiu à decisão nas redes sociais e afirmou que o instituto tem sido alvo de ataques quando divulga resultados que desagradam determinados grupos políticos. Segundo ele, a credibilidade da AtlasIntel foi construída ao longo dos anos e continua sendo reforçada.
A decisão de Kassio Nunes Marques tem caráter liminar e ainda será submetida ao plenário do TSE. Até que haja uma deliberação definitiva, a AtlasIntel está impedida de divulgar, impulsionar ou republicar o levantamento.
Conforme os documentos enviados ao tribunal, o questionário continha 48 perguntas. As questões sobre intenção de voto apareciam no início da pesquisa. Apenas na etapa final os entrevistados tiveram acesso a um vídeo com o conteúdo do áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, sendo convidados a avaliar a gravação de forma positiva ou negativa.
A defesa do senador sustentou que a associação entre Flávio, Vorcaro e o Banco Master teria potencial para influenciar a percepção dos participantes e comprometer a neutralidade do levantamento. Ao analisar o caso, Kassio afirmou que os elementos apresentados indicam a possível utilização de estímulos capazes de afetar respostas posteriores sobre imagem, rejeição e intenção de voto, o que justificaria a suspensão cautelar da pesquisa até análise mais aprofundada da Corte.