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Saúde

Ministério da Saúde suspende vacinação contra dengue do Butantan após investigação de duas mortes

Aplicação do imunizante será interrompida temporariamente enquanto autoridades apuram possíveis reações adversas graves registradas entre pessoas vacinadas
Redação
08/06/2026 | 16:17

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira 8 a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após o registro de duas mortes sob investigação e de outros casos graves possivelmente associados à vacina.

De acordo com a pasta, cerca de 500 mil doses foram aplicadas desde o início da campanha. Nesse universo, foram identificadas 42 ocorrências classificadas como eventos adversos graves, incluindo três casos considerados mais severos. Dois deles resultaram em óbito e seguem sendo analisados pelas autoridades de saúde.

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Vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan teve aplicação suspensa temporariamente enquanto autoridades investigam casos graves registrados após a imunização Foto: Reprodução

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que, até o momento, não há elementos suficientes para confirmar uma relação direta entre a vacina e as mortes registradas. A recomendação de interromper temporariamente a aplicação partiu do Comitê Nacional de Farmacovigilância, que defendeu a ampliação das investigações antes da continuidade da campanha.

Segundo o governo federal, os eventos graves representam uma parcela reduzida dos imunizados. Ainda assim, os casos observados apresentaram características que não haviam sido registradas durante os estudos clínicos que embasaram a aprovação do imunizante.

A vacina do Butantan é a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil e também a primeira do mundo aplicada em dose única. Antes da liberação para uso, o imunizante foi testado em aproximadamente 16 mil voluntários acompanhados por cinco anos, com resultados publicados em revista científica internacional.

Com a suspensão, estados e municípios deverão interromper a aplicação das doses até a conclusão das análises. O Ministério da Saúde orientou que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias fiquem atentas a sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura e sinais de desidratação, procurando atendimento médico em caso de agravamento.

A investigação será conduzida conjuntamente pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Instituto Butantan. As autoridades reforçam que a medida tem caráter preventivo e não representa, neste momento, a comprovação de falhas na segurança da vacina.