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Política

“Eles não suportam ver filho do pobre vencer na vida”, diz Allyson sobre rivais

Pré-candidato ao Governo diz que adversários tentam desgastá-lo com investigações, atribui críticas à sua origem humilde e reforça discurso de defesa das camadas populares
Por O Correio de Hoje
08/06/2026 | 15:19

O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) afirmou que setores com “muito poder” e “muita estrutura” não aceitam sua ascensão política por ele ter origem popular. Em entrevista ao Sistema Rural de Comunicação, em Caicó, o ex-prefeito de Mossoró disse estar tranquilo em relação à investigação da Polícia Federal sobre contratos na área da saúde de Mossoró e acusou adversários de tentar criar narrativas para atingir sua imagem antes da disputa estadual.

“Certamente, aqueles que têm muito poder, que têm muita estrutura, olham para mim hoje e não conseguem entender porque eles queriam que os filhos deles estivessem ocupando a cadeira que eu ocupei e a posição que eu estou ocupando hoje”, afirmou Allyson.

Allyson Bezerra Ex Prefeito de Mossoró Pré Candidato ao GoveRio Grande do Norteo do RN (2)
Ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao governo Allyson Bezerra (União) - Foto: José Aldenir

A declaração foi dada após pergunta sobre uma operação da Polícia Federal que investiga contratos na área da saúde em Mossoró. O entrevistador disse que adversários “rezam todos os dias” para que a investigação atinja diretamente o pré-candidato e perguntou se ele era inocente. Allyson respondeu que, desde o primeiro momento, veio a público, se posicionou e apresentou explicações sobre a gestão municipal.

“A partir do primeiro momento, eu vim a público. Na mesma hora. Vim a público, me posicionei, falei, expliquei e mostrei evidências do governo transparente que a gente fez na cidade. Inclusive no tocante a medicamentos e a qualquer outra questão”, disse.

O ex-prefeito afirmou que sua administração em Mossoró adotou sistemas auditáveis e que qualquer órgão de controle pode pedir informações. Ele defendeu que todo gestor público deve ser fiscalizado, investigado e cobrado.

“Todo político, todo gestor, tem que ser sim investigado, tem que prestar contas, tem que entregar relatório, tem que estar pronto, preparado para poder falar e se posicionar junto aos órgãos de controle, junto à Justiça, sempre”, declarou.

Allyson disse estar “totalmente tranquilo” quanto ao caso e afirmou que a disputa política tem gerado tentativas de desgaste contra ele. Segundo o pré-candidato, adversários sabem que precisam de aceitação popular para vencê-lo nas urnas e, por isso, tentam produzir manchetes e narrativas para distorcer fatos. Ele também associou os adversários a projetos que, segundo afirmou, não têm apoio da população.

“Esses projetos que tem de vender a Uern, de fechar o hospital, de privatizar o Estado todinho. Esses projetos aí não são aceitos pela população”, disse.

Allyson também criticou propostas que, segundo ele, ampliariam a idade de aposentadoria para 70 ou 75 anos ou aceitariam modelos de trabalho mais duros. Em contraposição, afirmou defender a escala 5×2, a universidade pública, a zona rural, o interior do Estado e as pessoas mais simples.

Na sequência, o ex-prefeito disse que sua trajetória incomoda grupos tradicionais porque ele não veio de família rica.

“Há uma raiva, há um preconceito, há um sentimento de maldade, de inveja nessas pessoas porque eles não suportam que o filho do pobre possa vencer na vida”, declarou.

“Eles não suportam que o filho do pobre possa ocupar espaços de poder na sociedade. Eles não suportam ver o filho de pobre tendo mais aceitação do que os filhos deles, que sempre tiveram berço de ouro para vencer na vida”, acrescentou.

A fala reforça uma linha que Allyson vem adotando na pré-campanha: apresentar sua origem popular como marca política. Na entrevista, ele afirmou ser o único pré-candidato ao Governo do RN que veio de família simples e enfrentou pobreza. Disse que sabe o que é precisar de uma Unidade Básica de Saúde, buscar atendimento público e enfrentar dificuldades na zona rural.

“Eu sou o único pré-candidato a governo do Rio Grande do Norte que tem origem popular. Não tem outro”, afirmou.

“Eu sou o único que é pré-candidato ao Governo do Estado que veio de uma família simples, humilde, e que enfrentou a pobreza, que enfrentou todas as dificuldades da vida”, disse.

Allyson também relatou episódios da infância no sítio Chafariz, na zona rural de Mossoró. Disse que morou em casa de taipa, com chão de barro, trabalhou com o pai na enxada, carregou água de galão, andou de carroça e viajava em pau de arara para estudar. Segundo ele, a primeira sala de aula em que estudou funcionava numa casa de taipa.

“Eu morei numa casa de taipa. Um terço da minha vida, mas. Eu morei numa casa de taipa. E boa parte dessa casa de taipa não tinha cimento. O chão era de barro mesmo”, afirmou.

Ele também disse que percorria cerca de 30 quilômetros da zona rural até a cidade para estudar.

A entrevista também abordou a polêmica em torno do chapéu de couro usado pelo pré-candidato. Allyson afirmou que o acessório virou símbolo de sua origem e de seu projeto político. Disse que o primeiro chapéu de couro que usou em campanha foi comprado em Caicó, na Feirinha de Santana, em 2018, quando disputava mandato de deputado estadual.

Segundo ele, críticas ao chapéu representam preconceito contra a cultura nordestina.

“Chamar o chapéu de esquisito é uma crítica ao povo nordestino. Tem a ver com vaqueiro, tem a ver com sertanejo, que está trabalhando nesse momento na roça. Tem a ver com homem do campo, tem a ver com homem que vive numa comunidade rural”, afirmou.

Allyson disse que, nas agendas pelo interior, a reação mais comum é de apoio ao uso do chapéu. Citou uma visita a Tangará, no Trairi, onde afirmou ter sido recebido pelo prefeito Augusto e por moradores usando chapéu de couro.

“Em todo canto que eu estou passando, a mensagem que mais eu escuto é não tire o chapéu de couro”, declarou.

O pré-candidato também destacou sua ligação familiar com o Seridó. Disse que os avós são de Barra de Santana, em Jucurutu, e que o nome da filha, Angelina, homenageia a bisavó Angelina Henrique Bezerra, nascida na região. Afirmou que carrega “sangue seridoense” e que Caicó tem presença em sua trajetória política desde 2018.

Ao tratar da experiência administrativa, Allyson citou a gestão em Mossoró como credencial para disputar o Governo do Estado. Disse que foi reeleito com mais de 78% dos votos e recebeu mais de 113 mil votos na cidade. Segundo ele, esse desempenho mostrou que o projeto ultrapassou os limites de Mossoró.

Allyson afirmou que obras e ações realizadas em Mossoró passaram a ser acompanhadas por moradores de outras regiões do RN. Citou, entre os exemplos, a construção de quatro pontes na cidade, incluindo uma de 144 metros sobre o rio que corta o Oeste.

“Um prefeito construir e entregar quatro pontes na cidade, entre elas a maior ponte da cidade, uma ponte de 144 metros sobre o rio, um rio que corta todo o Oeste, não é todo dia, não é comum”, disse.

O pré-candidato também afirmou que o RN precisa recuperar credibilidade e capacidade de entrega. Ao ser questionado sobre os maiores problemas do Estado, citou primeiro a falta de credibilidade na gestão pública. Defendeu que o Estado volte a fazer grandes obras, estradas, pontes, barragens e ligações entre regiões.

Na saúde, Allyson disse que a área será prioridade em eventual governo. Afirmou conhecer a realidade do serviço público por experiência pessoal e citou o hospital municipal entregue em Mossoró. Segundo ele, a unidade foi inaugurada numa quinta-feira à noite e, na sexta pela manhã, já realizava cirurgias em mulheres que aguardavam procedimentos havia mais de um ano.

O ex-prefeito também defendeu a interiorização do turismo, da indústria e do desenvolvimento econômico. Citou o Castelo de Engady, em Caicó, como equipamento que poderia ser recuperado em parceria com o município. Mencionou ainda o potencial mineral do Seridó, a necessidade de atrair indústrias de transformação e problemas de fornecimento de energia que, segundo ele, afetam empreendedores da região.

Allyson afirmou que, se eleito, pretende governar mais nas ruas e menos dentro de gabinetes. Disse que as soluções precisam nascer nos locais onde os problemas acontecem.

“Quer trabalhar comigo? Sabe que você vai trabalhar menos no gabinete e mais na rua”, afirmou.

O pré-candidato disse que seu compromisso é com a população mais simples.

“O meu compromisso não é com esse grupo. O meu compromisso não é com esse tipo de gente. O meu compromisso é com as pessoas mais simples. Por isso que o meu governo sempre foi popular. É por isso que o meu governo no Rio Grande do Norte será popular”, declarou.

“Eu aprendi dessa vida que, para os ricos, já tem muita gente trabalhando. Eu quero trabalhar para as pessoas que mais precisam”, completou.