BUSCAR
BUSCAR
Cinema

“Michael” e “O Diabo Veste Prada 2” salvam bilheterias

Cinemas registram alta de público e arrecadação impulsionados por grandes estreias
Por O Correio de Hoje
05/06/2026 | 13:05

O mercado exibidor brasileiro registrou crescimento tanto no número de espectadores quanto na arrecadação durante o mês de maio, impulsionado principalmente pelo desempenho de dois dos lançamentos mais aguardados do ano. Dados divulgados pelo portal especializado Filme B apontam que o público nas salas de cinema aumentou 13,9% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a renda obtida pelas bilheterias avançou 22,3%.

O desempenho foi liderado por dois títulos que dominaram as salas em todo o país: O Diabo Veste Prada 2 e Michael. Juntos, os dois filmes responderam por uma parcela significativa da movimentação registrada no período e ajudaram a sustentar o crescimento do setor.

o diabo veste prada 2
Mais de 5,9 milhões pessoas assistiram a O Diabo Veste Prada 2 nos cinemas brasileiros - Foto: Reprodução

Entre os destaques do mês, O Diabo Veste Prada 2 foi o principal responsável pela movimentação nas salas brasileiras. A continuação da comédia lançada originalmente em 2006 atraiu 5,9 milhões de espectadores aos cinemas e acumulou faturamento de R$ 140,9 milhões apenas no mercado nacional.

O resultado colocou o longa entre os maiores sucessos comerciais do ano e demonstrou a força de franquias consolidadas junto ao público.

Outro fenômeno foi Michael, cinebiografia dedicada ao chamado Rei do Pop. O filme levou 4,5 milhões de pessoas aos cinemas brasileiros e alcançou arrecadação de R$ 102 milhões, tornando-se uma das produções mais rentáveis do período.

O desempenho chama atenção porque, durante todo o mesmo intervalo de 2025, apenas um filme havia ultrapassado a marca de R$ 100 milhões em arrecadação. Na ocasião, Lilo & Stitch alcançou faturamento de R$ 107 milhões e público de aproximadamente 5 milhões de espectadores.

Além dos grandes lançamentos de estúdio, o mercado exibidor registrou bom desempenho de produções independentes.

Entre os destaques do gênero terror apareceram títulos como Obsessão e Backrooms: Um Não-Lugar, que conseguiram atrair público expressivo e ampliar a diversidade da programação exibida nas salas brasileiras.

O resultado reforça uma tendência observada nos últimos anos, em que produções de terror de orçamento mais reduzido conseguem alcançar bom desempenho comercial mesmo competindo com grandes blockbusters.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os números do setor também permanecem positivos. Entre janeiro e maio, os cinemas brasileiros venderam 50,7 milhões de ingressos, gerando faturamento de aproximadamente R$ 1,1 bilhão.

O resultado representa crescimento de 10% na arrecadação quando comparado ao mesmo período do ano anterior.

Em 2025, o setor havia comercializado 49,7 milhões de ingressos entre janeiro e maio, com receita total de R$ 994 milhões.

Os dados mostram que o mercado segue em trajetória de expansão, mesmo diante da concorrência crescente das plataformas de streaming e das mudanças nos hábitos de consumo audiovisual.

Apesar do crescimento geral do setor, os números revelam uma realidade diferente para a produção brasileira.

Os filmes nacionais registraram forte retração no volume de ingressos vendidos nos cinco primeiros meses de 2026. Segundo o levantamento do Filme B, as produções brasileiras comercializaram apenas 2,6 milhões de ingressos no período.

O resultado representa uma queda de aproximadamente 70% em comparação ao mesmo intervalo de 2025, quando os filmes nacionais haviam alcançado 8,9 milhões de espectadores.

Naquele ano, o desempenho foi impulsionado por sucessos de público como Ainda Estou Aqui, O Auto da Compadecida 2, Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa e Homem com H.

A ausência de fenômenos semelhantes em 2026 contribuiu para a redução da participação nacional no mercado exibidor.

Mesmo com os desafios enfrentados pela produção nacional, o mercado brasileiro continua sendo apontado como um dos mais promissores para expansão do setor de exibição.

Especialistas destacam que o país ainda apresenta baixa cobertura de salas de cinema em comparação com seu tamanho territorial e população.

Atualmente, apenas cerca de 7% dos municípios brasileiros possuem ao menos uma sala de cinema em funcionamento. Esse cenário é visto como uma oportunidade para investimentos futuros, especialmente em cidades de médio porte que ainda não contam com infraestrutura exibidora.

Dados da Agência Nacional do Cinema indicam que o Brasil alcançou em 2026 um recorde histórico de 3.538 salas de cinema em operação.

Além da expansão física da rede exibidora, o setor também registra crescimento em um segmento considerado estratégico: o das salas VIP.

Segundo os dados mais recentes, o país conta atualmente com 240 salas VIP, número 8,1% superior ao registrado no ano anterior.

A ampliação desse modelo acompanha uma tendência observada em diversos mercados internacionais, na qual exibidores buscam oferecer experiências diferenciadas para atrair o público.

Poltronas mais confortáveis, atendimento exclusivo, cardápios ampliados e serviços personalizados fazem parte das estratégias adotadas para estimular a frequência às salas e aumentar a competitividade frente às opções de entretenimento disponíveis em casa.