BUSCAR
BUSCAR
Saúde

RN registra aumento de internações por síndrome respiratória grave

Estado está entre as 20 unidades da federação com tendência de crescimento dos casos; avanço é associado principalmente ao vírus sincicial respiratório
Por O Correio de Hoje
01/06/2026 | 14:50

O Rio Grande do Norte está entre os estados brasileiros com aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo o novo Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na quinta-feira 28. O levantamento aponta que o estado integra o grupo de 20 unidades da federação com tendência de crescimento das ocorrências nas últimas seis semanas.

De acordo com a Fiocruz, o avanço das internações no RN está relacionado principalmente à circulação do vírus sincicial respiratório (VSR), considerado uma das principais causas de infecções respiratórias graves em crianças pequenas.

RN registra aumento de inteRio Grande do Norteações por síndrome respiratória grave - Agora RN

O boletim analisa dados da Semana Epidemiológica 20, correspondente ao período de 17 a 23 de maio. Segundo os pesquisadores, quase todos os estados brasileiros apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco. Apenas Rondônia ficou fora desse cenário. Além da incidência elevada, o Rio Grande do Norte aparece entre os estados com crescimento sustentado dos casos.

Os dados laboratoriais indicam que o aumento das hospitalizações em crianças de até quatro anos está fortemente associado ao VSR. Entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, o rinovírus também tem participação relevante em algumas regiões. Já entre jovens, adultos e idosos, a influenza A é apontada como principal responsável pelo crescimento dos casos graves.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, reforçou a importância da vacinação.

“A vacina contra o VSR é destinada às gestantes a partir da 28ª semana de gestação e protege o bebê durante os primeiros seis meses de vida. Já a vacina contra a influenza tem como público-alvo idosos, crianças, pessoas com comorbidades, gestantes, puérperas, entre outros grupos de risco”, afirmou.

Além da imunização, a pesquisadora recomenda medidas como higiene frequente das mãos, uso de máscaras em caso de sintomas respiratórios, evitar compartilhar objetos pessoais e cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar.

O boletim também destaca que os casos de SRAG associados ao vírus sincicial respiratório seguem em crescimento em vários estados do Nordeste, incluindo Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará, Paraíba, Alagoas e Sergipe.

Segundo a Fiocruz, a incidência da síndrome permanece mais elevada entre crianças pequenas, enquanto a mortalidade se concentra principalmente entre idosos.

No cenário nacional, o VSR foi identificado em 47,6% dos exames positivos registrados nas últimas quatro semanas epidemiológicas. A influenza A aparece em seguida, com 22,4%, e o rinovírus, com 23,9%. A Covid-19 responde por 2,3% dos registros positivos recentes.

Desde o início de 2026, o Brasil notificou 70.211 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Desse total, 33.245 tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório. Entre os casos positivos acumulados no ano, o rinovírus representa 33,9%, seguido pelo vírus sincicial respiratório, com 29,7%, e pela influenza A, com 25,4%.

A Fiocruz alerta que a vacinação continua sendo a principal ferramenta para reduzir hospitalizações e mortes, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.