O fim da escala 6×1, aprovado pela Câmara dos Deputados e agora encaminhado ao Senado, tende a chegar ao bolso do consumidor, segundo avaliação da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Norte (Abrasel no RN). O presidente da entidade, Thiago Machado, afirma que a associação não se opõe ao debate sobre redução da jornada de trabalho, mas critica a forma como a proposta avançou, sem apresentação clara dos impactos econômicos sobre empresas, trabalhadores e sociedade.
“A Abrasel é a favor dessa redução. Afinal de contas, todo mundo quer trabalhar menos, ganhar a mesma coisa ou até mais. A gente não se opõe a essa discussão. A oposição da Abrasel é como ela tem sido feita, como ela tem sido empurrada goela abaixo, sem ser mostrado ao trabalhador os impactos que vão causar na sociedade”, afirmou Thiago, em entrevista ao programa Contraponto, da 96 FM.

Segundo ele, uma mudança desse tamanho produzirá efeitos diretos sobre custos operacionais e preços. “Uma mudança como essa vai realmente causar um impacto grande, e quem paga essa conta é sempre o consumidor final”, disse.
Thiago afirmou que o setor de bares e restaurantes já enfrenta dificuldades acumuladas desde a pandemia. Muitos negócios ainda pagam empréstimos contraídos no período de crise sanitária, enquanto outros sequer conseguiram recuperar o faturamento anterior. Para ele, empresas maiores terão mais condições de se adaptar, reorganizar escalas e repassar custos. O problema mais grave recairá sobre micro, pequenos e médios estabelecimentos, que formam a base do setor.
“As empresas grandes vão conseguir sobreviver, vão readaptar, vão aumentar seus preços, mas muita gente, principalmente do nosso setor, são pequenas, microempresas e médias empresas”, afirmou. “Muita gente fechou e muita gente fechará, infelizmente, daqui para o final do ano.”
O presidente da Abrasel no RN disse que a aprovação ocorreu em momento inoportuno e classificou a proposta como eleitoreira. “Infelizmente, é um momento inoportuno. A gente enxerga como um momento de oportunidade para o governo. Uma medida eleitoreira, feita nessa época do ano, antes das eleições”, disse.
A crítica da Abrasel se concentra na ausência de uma discussão mais ampla sobre os custos da mudança. Thiago defendeu que, se o governo estivesse preocupado com o trabalhador e com a geração de emprego, teria aberto também uma negociação sobre redução de impostos para empresas que contratam.
O setor também defende maior segurança jurídica para modelos de contratação por hora. Thiago citou o trabalho intermitente, previsto na reforma trabalhista, mas disse que o modelo ainda é nebuloso para quem contrata. Na avaliação dele, uma jornada mais flexível, inspirada em sistemas usados em outros países, seria alternativa mais viável para atividades com funcionamento contínuo e picos de demanda.