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Trabalho

Rogério Marinho apresenta PEC que cria modelo flexível de jornada de trabalho

Proposta apresentada por senadores de oposição permite acordo individual para adoção de jornada flexível, com pagamento proporcional às horas trabalhadas e manutenção de direitos trabalhistas
Por O Correio de Hoje
28/05/2026 | 16:28

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, apresentou uma proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria uma nova opção de sistema de jornada de trabalho no Brasil. Se o projeto for aprovado, o trabalhador terá como alternativa, além do regime tradicional previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), um modelo flexível baseado em horas trabalhadas.

A PEC altera o art. 7º da Constituição Federal para permitir que o modelo seja definido através de acordo individual, convenção coletiva ou livre pactuação contratual entre empregado e empregador, mantendo garantias trabalhistas. Ao todo, 36 senadores assinam o texto protocolado no Senado Federal. Além de Rogério, entre os nomes estão Styvenson Valentim (Podemos) e Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência.

Rogério Marinho foto Jefferson Rudy Senado
Proposta do senador Rogério Marinho é alternativa ao fim da escala 6x1 - Foto: Jefferson Rudy / Senado

A proposta estabelece que o trabalhador poderá optar por um regime flexível de jornada, preservando direitos como férias, décimo terceiro salário, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e demais benefícios legais. A matéria também prevê que o valor mínimo da hora trabalhada deverá respeitar proporcionalmente o salário mínimo nacional ou o piso da categoria profissional. Os demais direitos trabalhistas também seriam pagos proporcionalmente ao tempo trabalhado.

Rogério Marinho sustenta que a medida busca modernizar as relações de trabalho, “respeitando a autonomia do trabalhador e proporcionando maior flexibilidade” para adaptar sua rotina às necessidades pessoais e às demandas do mercado de trabalho.

A PEC 12/2026 se apresenta como alternativa à PEC 221/2019, aprovada na noite de quarta-feira 27 pela Câmara dos Deputados, que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e põe fim à chamada escala 6×1, sem redução de salário.

Na avaliação do líder da oposição, a proposta protocolada no Senado preserva a liberdade de escolha do trabalhador e evita a adoção — com algumas exceções — de um modelo único de jornada imposto de forma generalizada a todos os setores da economia. O texto deve ser encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para análise de admissibilidade.

Rogério Marinho defende que a proposta fortalece a autonomia individual do trabalhador sem retirar direitos assegurados pela legislação trabalhista. “Esta proposta via ampliar a liberdade e autonomia do trabalhador na escolha de sua jornada de trabalho e, consequentemente, na definição proporcional de sua remuneração”, destaca o senador na justificativa da matéria. Para o parlamentar, a PEC representa uma alternativa de modernização das relações trabalhistas baseada na liberdade contratual, na valorização do trabalho, na empregabilidade e na adaptação às novas dinâmicas do mercado contemporâneo.

Parlamentares já saíram em defesa do projeto. Segundo o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), a PEC dá “liberdade” ao trabalhador para decidir quantas horas e quando quer trabalhar.