A gasolina A comercializada pela Refinaria Clara Camarão, em Guamaré, voltou a subir na última quinta-feira 21, e atingiu R$ 4,22 por litro, segundo tabela semanal divulgada pela Brava Energia, empresa responsável pela operação da unidade no Rio Grande do Norte.
O reajuste foi de R$ 0,20 em relação à semana anterior, quando o combustível era vendido a R$ 4,02. Com a nova alta, a gasolina acumula aumento de R$ 1,71 em apenas 91 dias, o equivalente a uma valorização de 68,12% desde fevereiro.

O movimento reforça a pressão sobre a cadeia de distribuição de combustíveis no Estado, em um cenário marcado por volatilidade internacional do petróleo, oscilações cambiais e mudanças no mercado interno de refino após a privatização da refinaria potiguar.
A escalada dos preços da gasolina começou em 19 de fevereiro, quando o litro era comercializado a R$ 2,51 na refinaria. Desde então, o combustível passou por sucessivos reajustes: alcançou R$ 3,19 em 12 de março, subiu para R$ 3,82 em 19 de março e chegou a R$ 4,02 no fim de abril. Após duas semanas de estabilidade, a gasolina voltou a registrar aumento na última quinta-feira, 21.
Os preços definidos pela refinaria impactam diretamente a cadeia de distribuição no Rio Grande do Norte, embora o valor final pago pelos consumidores ainda incorpore tributos, margens de distribuição e revenda, além dos custos logísticos.
O diesel A S500, por outro lado, permaneceu estável nesta semana após duas reduções consecutivas.
Na modalidade EXA, o combustível foi mantido em R$ 4,98 por litro, mesmo valor praticado na semana passada. Ainda assim, o diesel acumula aumento de R$ 1,70 desde 5 de fevereiro, quando era vendido a R$ 3,28. A alta acumulada no período chega a 51,82%.
Na modalidade LCT, o diesel também permaneceu sem alterações, cotado a R$ 4,99 por litro. Em fevereiro, o produto era vendido a R$ 3,30, o que representa valorização acumulada de R$ 1,69, equivalente a 51,21% em pouco mais de três meses.
A Refinaria Clara Camarão foi adquirida da Petróleo Brasileiro S.A. em 2023, em um dos principais movimentos de desinvestimento da estatal no Nordeste. Atualmente operada pela Brava Energia, a unidade abastece parte relevante do mercado potiguar e influencia diretamente a formação de preços em estados vizinhos.
O avanço acumulado nos combustíveis ocorre em um contexto de pressão internacional sobre os derivados de petróleo. O agravamento das tensões no Oriente Médio, especialmente após a escalada militar envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, elevou as cotações internacionais do barril e reacendeu preocupações sobre oferta global de energia.
No mercado interno, distribuidoras e revendedores acompanham também os impactos da política de preços adotada pelas refinarias privadas, cuja dinâmica tende a responder mais rapidamente às oscilações internacionais e cambiais.
O aumento dos combustíveis ocorre ainda em um momento de desaceleração parcial da inflação nacional, mas especialistas alertam que novas altas podem pressionar índices de preços nos próximos meses, sobretudo em segmentos ligados a transporte, alimentos e logística.