Fora das disputas eleitorais desde 2018, quando foi candidato ao Senado, Antônio Jácome está de volta ao cenário político. Agora filiado ao MDB, ele trabalha uma candidatura a deputado estadual no pleito de 2026, em uma tentativa de retomar espaço na Assembleia Legislativa depois de oito anos sem mandato.
Médico, ex-vice-governador, ex-deputado federal e ex-deputado estadual, Jácome retorna agora dentro do projeto político comandado pelo vice-governador Walter Alves, presidente estadual do MDB.

A entrada de Jácome reforça a estratégia do MDB de montar uma nominata competitiva para 2026. O partido passou a organizar a chapa proporcional depois do rompimento de Walter com o Governo Fátima Bezerra (PT) e da adesão do MDB ao palanque de Allyson Bezerra (União), pré-candidato ao Governo do Estado. A meta pública da legenda é eleger pelo menos três deputados estaduais e, dependendo do desempenho dos pré-candidatos, disputar uma quarta vaga.
Jácome chega à disputa com trajetória extensa. Natural de Sousa, na Paraíba, Antônio Jácome de Lima Júnior nasceu em 26 de maio de 1962 e construiu carreira política no Rio Grande do Norte. É médico, advogado e teólogo, segundo registro biográfico da Câmara dos Deputados, onde exerceu mandato federal de 2015 a 2019. Também foi vereador de Natal, deputado estadual e vice-governador do RN entre 2003 e 2007.
Em entrevista ao programa Contraponto, da 96 FM, Jácome afirmou que aceitou o convite de Walter Alves para compor a nominata do MDB após o rompimento do vice-governador com o governo estadual. Segundo ele, a legenda precisava formar uma chapa forte diante de partidos que já reuniam parlamentares com mandato. O ex-vice-governador disse que o MDB tem 25 nomes definidos e trabalha com a possibilidade concreta de eleger três deputados.
O retorno também passa pela base evangélica. Jácome se apresentou como pioneiro da representação evangélica no Estado. Disse ter sido o primeiro deputado estadual evangélico eleito, o primeiro deputado federal evangélico eleito e o primeiro vice-governador evangélico eleito. Para ele, o segmento, que classificou como cada vez mais expressivo, não pode perder espaço nos parlamentos.
A área da saúde deve ser o principal eixo da pré-campanha. Jácome relatou ter 40 anos de atuação profissional como médico e disse que continua atendendo e operando, mesmo sem mandato. Segundo ele, mais de 200 mil procedimentos já passaram por suas mãos, muitos deles ligados à prevenção e ao tratamento de câncer de pele. O pré-candidato afirmou que pretende voltar à Assembleia como “deputado médico”, com foco no acolhimento e na assistência aos pacientes.
Durante a entrevista, ele criticou a falta de um ambulatório regular de pequenas cirurgias em Natal. Disse considerar “imoral” e “vergonhoso” que pacientes fiquem um ou dois anos esperando no SUS por procedimentos simples. Também defendeu mais recursos e melhor gestão para a saúde pública, especialmente no Hospital Walfredo Gurgel. Para Jácome, não basta trocar diretores. É preciso modernizar a administração do sistema.
No campo político, Jácome defendeu a decisão de Walter Alves de não assumir o Governo do Estado em caso de renúncia de Fátima Bezerra para disputar o Senado. Segundo ele, Walter avaliou a situação fiscal e financeira do Estado e concluiu que enfrentaria um quadro de grande dificuldade. Para Jácome, a decisão não foi sinal de medo, mas de coragem, por abrir mão de ocupar o cargo de governador por alguns meses.
O ex-vice-governador também defendeu Allyson Bezerra como nome competitivo na disputa estadual. Registrou que o ex-prefeito de Mossoró aparece em primeiro lugar nas pesquisas e que o eleitorado busca um perfil de gestor. Na avaliação dele, Allyson foi testado na segunda maior cidade do Estado, tem aprovação elevada e representa a possibilidade de um “choque de gestão” no Rio Grande do Norte.
Questionado sobre críticas à gestão Allyson, Jácome defendeu o funcionamento do Hospital Municipal de Mossoró Francisca Conceição da Silva. Afirmou que opera na unidade e que o equipamento realiza cirurgias, atendimentos especializados, ultrassonografias e endoscopias. Reconheceu que o hospital não tem UTI e que isso seria o ideal, mas disse que a média complexidade está sendo atendida. Sobre a Operação Mederi, afirmou não conhecer o caso em profundidade e disse que é preciso aguardar os fatos e as decisões da Justiça.
O MDB também aparece, segundo Jácome, bem representado na chapa majoritária de Allyson. O partido indicou o deputado estadual Hermano Morais (MDB) para a vice. Jácome classificou Hermano como um quadro experiente e qualificado, capaz de contribuir com uma eventual nova gestão estadual.