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Política

Direita do RN tenta conter crise de Flávio

Pré-candidato a vice-governador no RN tenta desvincular palanque potiguar do desgaste nacional enfrentado por pré-candidato do PL após caso envolvendo Banco Master
Por O Correio de Hoje
25/05/2026 | 17:05

O pré-candidato a vice-governador Babá Pereira (PL) minimizou o impacto, no Rio Grande do Norte, da crise nacional envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Em entrevista à 96 FM, Babá afirmou que o episódio “não afeta em nada” a campanha da direita potiguar, que terá Álvaro Dias (PL) como pré-candidato ao Governo do Estado.

A declaração ocorre num momento em que Flávio, pré-candidato do PL à Presidência da República, tenta conter o desgaste provocado pela divulgação de mensagens e áudios em que aparece conversando com Vorcaro.

Chapa direita
Flávio Bolsonaro em visita ao RN, ao lado de Rogério Marinho, Álvaro Dias e Babá Pereira, com General Girão mais atrás - Foto: José Aldenir

O impacto já apareceu em pesquisas nacionais. Na Atlas de abril (BR 07992/2026), Flávio aparecia tecnicamente empatado com o presidente Lula em um cenário de segundo turno, com 47,8% contra 47,5%. Em maio (BR-06939/2026), depois do escândalo, passou a perder por 48,9% a 41,8%, abrindo desvantagem de 7,1 pontos.

Já no Datafolha, Flávio Bolsonaro saiu de 35% (BR-00290/2026) para 31% (BR-07489/2026) no primeiro turno e de 45% para 43% no segundo. Ainda assim, entre seus próprios eleitores, 88% defendem que ele continue candidato, dado usado por aliados para sustentar que o núcleo bolsonarista permanece fiel.

Babá procurou separar a crise nacional da articulação local. Segundo ele, os levantamentos mostram que a base de direita não deve abandonar Flávio por causa do episódio. “Eu acho que não afeta em nada. Inclusive, pelas pesquisas que saíram agora, também não está afetando nem em nível nacional. Houve uma queda, mas, segundo as pesquisas, 72%, 73% da população disse que não vai deixar de votar por isso”, afirmou.

O pré-candidato a vice também defendeu a versão apresentada por Flávio. Segundo Babá, o senador não teria pedido dinheiro para benefício próprio nem tratado de recursos públicos, mas buscado apoio para “Dark Horse” (O Azarão), filme que contará a trajetória de Jair Bolsonaro. “Ele mostrou que não pediu para benefícios próprios, não foi recurso público. Era um investimento que o banco ia fazer num filme que ia ter o retorno financeiro depois”, disse.

Na entrevista, Babá ainda comparou o caso Vorcaro a outros escândalos nacionais e defendeu a instalação de uma CPMI para investigar o assunto. “O Flávio Bolsonaro assina, o PL assina a CPMI. Então, quem tem medo não assinaria uma CPMI”, declarou. Perguntado se o apoio à investigação era “para valer”, respondeu: “Com certeza, é para valer, sim. Do PL, sim.”

A tentativa de conter o desgaste tem razão política clara no RN. Flávio Bolsonaro não é apenas um nome nacional distante da disputa estadual. Ele participou diretamente da construção do palanque da direita potiguar para 2026. Em março, esteve no Estado em evento do PL que apresentou a chapa formada por Álvaro Dias para o Governo, Babá Pereira como vice e Styvenson Valentim (Podemos) e Coronel Hélio (PL) como nomes ao Senado.

Na prática, o palanque potiguar foi montado como extensão regional do projeto presidencial de Flávio. O próprio Babá confirmou que a chapa majoritária está fechada nos nomes principais, restando a definição das suplências. Também afirmou que não há mais espaço para uma composição com Flávio Rocha (Novo) e que Coronel Hélio permanece confirmado como pré-candidato ao Senado.

O ex-prefeito de São Tomé disse ainda que o grupo caminhará unido. Segundo ele, Styvenson, que tem sido cobrado por presença mais frequente nas agendas da chapa, deve intensificar a participação no Estado a partir de junho. Babá informou que já houve reunião entre assessores para ajustar agendas conjuntas.

A leitura do pré-candidato é que a disputa estadual tende a repetir a polarização nacional. Para ele, se houver segundo turno, o confronto provável será entre Álvaro Dias, representando a direita, e Cadu Xavier (PT), candidato do campo governista. “Não vamos ter no programa eleitoral, por exemplo, Flávio Bolsonaro pedindo voto para Álvaro Dias? Não vamos ter Lula pedindo voto para Cadu? Então, isso deverá intensificar cada vez mais”, afirmou.

Mesmo com a crise em torno de Flávio, Babá demonstrou confiança no desempenho da chapa. Disse que o grupo de Álvaro reúne mais de 90 prefeitos — de um total de 167 no Estado, lideranças em diversas regiões e cerca de metade dos deputados da Assembleia Legislativa. Por isso, avalia que, se houver possibilidade de vitória no primeiro turno, será da direita.