A busca por qualidade de vida e a crescente adesão às corridas de rua têm levado mais pessoas a procurar avaliação cardiológica antes de iniciar atividades físicas de maior intensidade. Em entrevista à rádio Jovem Pan News Natal, o médico cardiologista Nelson Madeira afirmou que iniciantes em esportes de resistência estão entre os grupos que mais precisam de acompanhamento médico para prevenir problemas cardiovasculares durante treinos e provas.
Segundo o especialista, pessoas que começam a praticar atividades físicas podem apresentar doenças cardíacas silenciosas, muitas vezes desconhecidas, que podem ser desencadeadas durante exercícios intensos. “Muitas vezes, são os iniciantes que vão apresentar problemas cardiovasculares, porque podem ter alguma doença cardiológica silenciosa e, às vezes, a atividade física de mais alta intensidade pode ser o gatilho para esse problema”, afirmou.

Nelson Madeira destacou que a avaliação cardiológica não deve funcionar como uma barreira à prática esportiva, mas como um instrumento de segurança. “Todos podemos, com raríssimas exceções, nos exercitar. Já se vista com uma roupa adequada, vá para a rua caminhar, vá para a academia. Mas, concomitante a isso, procure auxílio médico”, disse. O médico explicou que a avaliação inicial inclui consulta clínica, eletrocardiograma, análise do histórico familiar e pessoal, investigação de sintomas e exame físico. Dependendo do caso, podem ser solicitados exames complementares, como ecocardiograma, teste ergométrico ou teste ergoespirométrico.
Ele afirmou que a recomendação vale para todas as idades, inclusive crianças e adolescentes. Segundo Nelson Madeira, algumas das causas de morte súbita em jovens estão relacionadas a cardiopatias congênitas que podem permanecer sem diagnóstico. “Hoje em dia a gente vê criança de 11, 12 anos praticando futebol de alta intensidade, jogando em clubes grandes, com exigência física e psicológica altíssima. Essa criança pode ter algumas condições que podem ser o gatilho”, declarou.
Durante a entrevista, o cardiologista detalhou os principais sintomas que não devem ser ignorados durante atividades físicas. “Existem quatro sintomas que nunca podem ser negligenciados: dor no peito durante o esforço, desmaio durante o esforço, palpitações fora do normal e falta de ar desproporcional”, explicou.
Ele orientou que pessoas que apresentem esses sinais interrompam imediatamente a atividade e procurem atendimento médico. “Qualquer desconforto desencadeado pelo esforço e que melhora com repouso tem que ser respeitado”, afirmou.
Nelson Madeira também explicou as principais causas de morte súbita relacionadas ao esporte. Segundo ele, em pessoas com menos de 35 anos, os casos geralmente estão associados a cardiopatias congênitas, como cardiomiopatia hipertrófica, canalopatias e miocardites. Já em pessoas acima dessa faixa etária, a principal causa é o infarto agudo do miocárdio.
“Acima dos 35 anos, a causa mais frequente de morte súbita durante o esporte é um infarto. A pessoa já está ali com uma placa de 70% ou 80% e, às vezes, durante a atividade física, o estresse pode ser o gatilho para essa placa se romper e causar um infarto”, disse.
O médico também comentou a relação entre infecções virais e complicações cardíacas em atletas. Ele citou a miocardite como uma das principais preocupações e afirmou que exercícios intensos durante quadros gripais podem aumentar os riscos. “Por isso que eu falo para os atletas: não treinem gripados. Tem que se recuperar”, alertou.
Nelson Madeira defendeu que praticantes de atividade física mantenham uma rotina mínima semanal de exercícios. Segundo ele, diretrizes internacionais recomendam ao menos 150 minutos semanais de atividade física moderada. “O ideal é incluir exercício de força, como musculação, duas ou três vezes por semana, além do aeróbico”, afirmou. O cardiologista também comentou sobre alimentação antes de provas e orientou que corredores evitem refeições gordurosas.