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Política

Câmara aprova projeto que proíbe sigilo sobre gastos de viagens de autoridades

Texto mira despesas com cartão corporativo de presidentes e primeiras-damas e agora segue para análise do Senado
Redação
24/05/2026 | 17:15

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que proíbe a imposição de sigilo sobre gastos de viagens de autoridades públicas, incluindo presidentes da República e primeiras-damas, realizados com cartão corporativo em agendas nacionais e internacionais.

A proposta, apresentada pelos deputados Gustavo Gayer (PL-GO) e Marcel van Hattem (Novo-RS), prevê transparência em despesas como hospedagem, alimentação, passagens aéreas, diárias, transporte e compra de bens. O texto ainda será analisado pelo Senado Federal.

lula janja
Projeto aprovado pela Câmara amplia transparência sobre gastos de viagens oficiais de autoridades públicas Foto: Ricardo Stuckert/PR

A oposição aponta como um dos focos da proposta a primeira-dama Rosângela da Silva, que costuma acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em viagens oficiais e mantém comitiva própria em compromissos internacionais.

Relatada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a matéria altera interpretações da Lei de Acesso à Informação (LAI) para impedir que despesas públicas sejam classificadas como sigilosas sem justificativa relacionada à segurança da autoridade.

Pelo texto aprovado, o sigilo poderá ser aplicado apenas a informações consideradas estratégicas para proteção da autoridade, como rotas, escalas, meios de transporte e quantidade de integrantes da comitiva — sem esconder os valores gastos.

O projeto também determina que informações sigilosas sejam automaticamente liberadas caso a Comissão Mista de Reavaliação de Informações não analise pedidos de revisão em até 120 dias.

Outro trecho prevê que o Congresso Nacional possa rever classificações de sigilo por meio de decreto legislativo aprovado pela Câmara e pelo Senado.

A proposta ainda estabelece que a imposição de sigilo para obtenção de vantagem pessoal ou ocultação de irregularidades poderá ser enquadrada como improbidade administrativa e crime de responsabilidade.