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Automobilismo

FIA cria mecanismo para equilibrar motores das equipes na Fórmula 1

Novo sistema da Fórmula 1 permitirá mais testes, atualizações extras e flexibilização orçamentária para fabricantes com desempenho inferior ao das líderes
Redação
21/05/2026 | 05:25

A Formula 1 introduzirá, nas próximas semanas, um novo mecanismo regulatório que pode alterar a disputa técnica entre as equipes da categoria. O sistema, chamado Aduo — sigla para Additional Development and Upgrade Opportunities — foi criado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para conceder vantagens de desenvolvimento às fabricantes de motores que apresentarem desempenho inferior ao das concorrentes.

A primeira aplicação do mecanismo ocorrerá após o Grande Prêmio do Canadá, que será disputado neste domingo 24, e poderá impactar diretamente o equilíbrio de forças do campeonato. O Aduo prevê benefícios para fabricantes cujos motores estejam ao menos 2% abaixo do melhor índice de performance calculado pela FIA. Entre os incentivos estão horas adicionais de testes, possibilidade de atualizações extras durante a temporada e flexibilização no teto de gastos.

FIA cria mecanismo para equilibrar motores das equipes na Fórmula 1
Equipe Audi, do brasileiro Gabriel Bortoleto, será uma das beneficiadas - Foto: Audi F1/Reprodução

A medida faz parte do novo regulamento técnico da Fórmula 1 e busca evitar disparidades excessivas entre as fornecedoras de unidades de potência após as mudanças implementadas para a temporada 2026. A estreia do sistema estava prevista para o GP de Miami, mas alterações no calendário provocadas pelo cancelamento das corridas no Bahrein e na Arábia Saudita levaram a FIA a reorganizar os períodos de avaliação técnica dos motores. O cálculo do desempenho será feito exclusivamente sobre o motor de combustão interna das unidades de potência. A FIA publicará periodicamente um Índice de Performance para determinar quais fabricantes terão direito aos benefícios adicionais. Os incentivos variam conforme a distância em relação à fornecedora líder. Motores com desvantagem entre 2% e 4% receberão 70 horas extras de testes. Já fabricantes com desempenho mais de 10% inferior poderão obter até 230 horas adicionais. O regulamento também libera atualizações extras nos motores. Fabricantes entre 2% e 4% abaixo do líder poderão realizar uma atualização adicional na temporada atual e outra no ano seguinte. Se a diferença superar 4%, serão autorizadas duas atualizações extras.

Além disso, equipes com déficit superior a 10% terão alívio no teto de gastos de até US$ 11 milhões, cerca de R$ 55 milhões na cotação atual, além da possibilidade de antecipar mais US$ 8 milhões de orçamentos futuros. A expectativa do paddock é que Honda esteja entre as fabricantes mais beneficiadas pela nova regra, especialmente pelos problemas enfrentados pela Aston Martin no início da temporada.

O comentarista Rafael Lopes avalia que a mudança pode alterar o cenário competitivo ao longo do campeonato. “ Fala-se que a Red Bull, por exemplo, não estaria incluída nesses 2%, então não teria autorização para atualizar seu motor, mas é fato que isso pode mudar um pouco sim o cenário a partir do GP de Mônaco. A Ferrari, que deve ser uma das agraciadas, não sei se vai colocar um motor atualizado já em Mônaco, que favoreceria aquela turbina pequena que eles colocaram no motor. Uma vez que a Ferrari consiga uma boa largada, pode ser que até consiga chances de vencer; o motor da Ferrari não tem boa velocidade de reta nesse momento, mas tem boa retomada de curva, justamente por causa dessa turbina, que enche mais rápido”, afirmou. Segundo a FIA, o mecanismo não representa uma vantagem artificial, mas sim uma margem adicional de desenvolvimento para equipes em desvantagem técnica.

“Um fabricante ainda precisará produzir o melhor motor possível para vencer. Não é uma solução mágica, nem a FIA está distribuindo pontos extras para quem está atrasado”, declarou Nicolas Tombazis. A tendência é que Mercedes e McLaren não recebam benefícios, já que os motores alemães lideram o desempenho da categoria após as primeiras corridas da temporada. Por outro lado, Ferrari, Ford e Audi podem aproveitar o novo regulamento para reduzir diferenças técnicas. A Audi, equipe do brasileiro Gabriel Bortoleto, aparece como uma das potenciais beneficiadas pelo sistema. Como não fornece motores para outras equipes, a fabricante alemã possui menor volume de dados comparativos sobre desempenho em relação às rivais.

As verificações passarão a ocorrer em três ciclos ao longo da temporada:

Corridas 1 a 5: Austrália até Canadá;
Corridas 6 a 11: Mônaco até Hungria;
Corridas 12 a 18: Holanda até México.

Atualmente, cinco fabricantes fornecem motores para as 11 equipes do grid:

Mercedes: Mercedes, McLaren, Alpine e Williams;
Ferrari: Ferrari, Haas e Cadillac;
Ford: Red Bull e Racing Bulls;
Audi: equipe própria;
Honda: Aston Martin.