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Transporte

Fetronor critica pacote de incentivos a carros para táxis e motoristas de aplicativo

Entidade do transporte de passageiros afirma que pacote federal de crédito amplia estímulo ao transporte individual enquanto ônibus perdem participação nas viagens urbanas
Redação
21/05/2026 | 05:46

A Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Nordeste (Fetronor) manifestou preocupação com o novo pacote de crédito anunciado pelo governo federal para estimular a compra de veículos leves. Segundo a entidade, a medida amplia o incentivo ao transporte individual em um momento em que o transporte coletivo perde espaço nas cidades brasileiras.

A avaliação é compartilhada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), que aponta avanço contínuo dos deslocamentos individuais e redução da participação do transporte público na mobilidade urbana do país.

Eudo laranjeiras fetronor
Laranjeiras prefere que parte dos recursos sejam para renovar frota de ônibus - Foto: José Aldenir

De acordo com dados da CNT, a participação do transporte coletivo nas viagens urbanas caiu de 49,8% em 2017 para 31,7% em 2024. No mesmo período, os deslocamentos individuais passaram a representar 68,3% das viagens realizadas nas cidades brasileiras.

Para a Fetronor, o cenário reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à mobilidade urbana sustentável e à ampliação da infraestrutura de transporte coletivo.

O presidente da entidade e vice-presidente da CNT, Eudo Laranjeiras, afirmou que o debate sobre mobilidade precisa priorizar investimentos estruturantes no sistema de ônibus urbano.

“O ônibus continua sendo o principal meio de deslocamento da população de menor renda e um serviço essencial para garantir acesso ao trabalho, saúde e educação”, declarou.

Segundo a federação, o aumento dos incentivos ao transporte individual tende a gerar efeitos diretos sobre o trânsito urbano, ampliando congestionamentos, emissões de poluentes e os custos operacionais das cidades.

A entidade também argumenta que o Brasil enfrenta atualmente um quadro de pressão crescente sobre a infraestrutura urbana, marcado pelo aumento do tempo de deslocamento e pela saturação das vias nas grandes cidades.

Na avaliação da CNT, parte dos recursos previstos no pacote federal para veículos leves poderia ser direcionada para renovação da frota de ônibus, implantação de corredores exclusivos e modernização do transporte coletivo.

A confederação destacou ainda que o volume de recursos reservado ao financiamento de carros leves é semelhante ao destinado à renovação da frota de ônibus e ao transporte de cargas, segmentos considerados estratégicos para a mobilidade urbana e para a competitividade da economia brasileira.

Para Eudo Laranjeiras, o País precisa avançar em uma política nacional de mobilidade que fortaleça o transporte público e estimule soluções consideradas mais eficientes do ponto de vista urbano.

Segundo ele, medidas voltadas exclusivamente à ampliação da frota de veículos particulares podem aprofundar desequilíbrios já observados nos grandes centros urbanos brasileiros.

O pacote federal de crédito foi anunciado pelo governo como parte das medidas de estímulo ao consumo e renovação da frota nacional, incluindo condições facilitadas para aquisição de veículos leves. O programa prevê financiamento subsidiado com recursos públicos e ampliação do acesso ao crédito para consumidores.

A crítica da Fetronor está relacionada ao governo federal, que disponibilizou R$ 30 bilhões para o programa Move Aplicativos, iniciativa que faz parte do programa Move Brasil, destinado a motoristas de aplicativos e taxistas a comprarem veículos novos. O acesso às linhas de crédito do programa depende do cumprimento de algumas regras, tanto para os profissionais como para o tipo de veículo a ser financiado.