O ex-prefeito de Assú Ivan Júnior, pré-candidato a deputado estadual pelo MDB, afirmou que o Rio Grande do Norte paga um preço alto por decisões que, na avaliação dele, têm sido guiadas mais por ideologia do que por gestão, planejamento e estímulo ao desenvolvimento. Em entrevista à 94 FM, ele disse que o Estado enfrenta crise financeira, insegurança, problemas graves na saúde, abandono de estruturas estratégicas e entraves ao setor produtivo.
Segundo Ivan, o governo estadual tenta responder à crise aumentando impostos, mas não oferece contrapartidas suficientes às regiões que mais contribuem para a economia potiguar. Ele citou o Vale do Açu como exemplo de área produtiva que gera riqueza para o Estado, mas não recebe a atenção necessária.

“O Estado vive uma crise financeira gigantesca. Podemos até dizer um processo de falência financeira do Estado, onde se pensa que se resolve o problema aumentando o imposto. E isso termina afetando o setor produtivo”, afirmou.
Ivan disse que o Vale do Açu contribui com fruticultura, carcinicultura, salinas e petróleo, mas segue sem retorno proporcional em infraestrutura, segurança, saúde e desenvolvimento. Para ele, a região se tornou um “gigante adormecido”, com potencial produtivo elevado, mas sem representação política suficiente para defender suas prioridades.
“Eu venho de uma região que contribui muito com o Rio Grande do Norte. Nós temos uma área produtiva fortíssima de fruticultura, carcinicultura, salinas, petróleo, e tudo isso ajuda diretamente o Rio Grande do Norte. Mas o Estado não ajuda a região”, disse.
A crítica mais dura foi dirigida ao que ele classificou como orientação ideológica da gestão estadual. Ivan afirmou que essa visão prejudica a definição de políticas públicas e amplia os problemas do Estado. “Eu vejo que a visão que o governo atual do Rio Grande do Norte vem colocando nas políticas públicas ideológicas contribui para o agravamento da situação do Estado”, declarou.
O ex-prefeito também associou a falta de desenvolvimento ao aumento da violência. Segundo ele, a insegurança no Vale do Açu acompanha o quadro observado em Natal e em outros estados do Nordeste, com avanço das facções e banalização das mortes. “A realidade é essa, nós estamos nos acostumando com a insegurança e com a violência nas cidades”, afirmou.
Para Ivan, a violência não é um fenômeno isolado, mas resultado de falta de oportunidades, políticas públicas frágeis e ausência de desenvolvimento. “A falta de oportunidade, a falta de desenvolvimento leva ao crescimento das sequelas sociais que aumentam a violência”, disse.
Na área hídrica, Ivan fez um alerta sobre a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório do Rio Grande do Norte, com capacidade de 2,4 bilhões de metros cúbicos de água. A estrutura é fundamental para o abastecimento e para a produção no Baixo Açu, mas, segundo o ex-prefeito, estaria sem vigilância diária por falta de orçamento e com vegetação nas paredes.
“Um reservatório daquela magnitude, que abastece uma grande parte do Rio Grande do Norte, hoje não tem mais vigilantes que ficam lá no dia a dia por falta de orçamento”, afirmou. “As paredes lá do reservatório estão tomadas de vegetação de árvores. Isso é muito grave.”
Ivan disse ter procurado o secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Paulo Varela, para relatar a situação. Segundo ele, embora a barragem seja de responsabilidade do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs), o tema envolve segurança de barragens e precisa de atenção imediata. O ex-prefeito afirmou que o Dnocs deverá tratar o caso como prioridade, mas reforçou que o alerta expõe a falta de cuidado com estruturas essenciais para o Estado.
A saúde foi outro ponto central da entrevista. Ivan, que é farmacêutico bioquímico, disse que a situação é grave tanto na Grande Natal quanto no interior. Ele criticou atrasos em pagamentos a fornecedores, cooperativas médicas, terceirizados e prestadores de serviços, além da falta de insumos.
Segundo ele, o governo atua apenas “apagando incêndio”. “Uma entidade, uma cooperativa médica, um fornecedor de material ameaça paralisar o atendimento. Aí vai lá, faz a negociação, uma negociação que não se cumpre, e faz um pagamento de algumas parcelas. Mas a gente não vê uma solução que possa resolver o problema”, afirmou.
Ivan disse que o alinhamento entre o governo estadual e o governo federal, ambos comandados pelo PT, deveria facilitar a chegada de recursos, mas isso, na avaliação dele, não ocorreu na prática. “O próprio governo atual defendeu que o bom ia começar, ia melhorar. Não só a picanha, mas nem o feijão, nem o arroz”, criticou.
O ex-prefeito citou o Hospital Regional de Assú como exemplo do que considera uma gestão voltada à propaganda. Ele afirmou que a maternidade da unidade foi fechada pelo próprio governo e reaberta anos depois com discurso de inauguração. “Ele fechou a maternidade, a população passou três a quatro anos sem nascer crianças na cidade e região, e agora reabre o que ele fechou”, afirmou.
Também criticou a instalação de uma UTI durante a pandemia, que, segundo ele, teria sido apresentada como solução, mas sem estrutura adequada. “Foi feita uma UTI paliativa, que se coloca hoje como uma UTI resolutiva”, disse. Para Ivan, o governo tenta vender uma realidade que não existe. “É um governo muito de mídia. As propagandas tentam vender uma ilusão.”
Ele afirmou ainda que a recente inauguração de uma barreira ortopédica em Assú mostrou a fragilidade da estrutura. Segundo Ivan, poucas semanas depois da abertura, cirurgias deixaram de ocorrer por falta de material de limpeza. “Querem fazer algo para colocar na mídia, mas o básico não vem funcionando”, afirmou.
Pré-candidatura
Na política, Ivan confirmou que disputará uma vaga na Assembleia Legislativa pelo MDB. Ele lembrou que foi prefeito de Assú por dois mandatos, presidente da Federação dos Municípios (Femurn) e secretário estadual de Recursos Hídricos e Meio Ambiente. Disse que decidiu entrar na disputa porque o Vale do Açu está sem voz política.
“Hoje está abandonado. Falta representação política para lutar, defender e priorizar as ações da nossa região”, afirmou ele.
Segundo ele, o MDB montou uma nominata equilibrada, sem deputado estadual com mandato, reunindo ex-prefeitos, ex-deputados, vice-prefeitos e ex-vereadores. O nome cotado para receber a maior votação é o atual vice-governador Walter Alves. Ivan projetou que o partido pode eleger dois deputados diretamente e um terceiro pelas sobras, com chance de disputar até uma quarta vaga se houver crescimento na campanha.
O ex-prefeito defendeu renovação na Assembleia Legislativa, especialmente porque o Vale do Açu, com mais de 200 mil habitantes, não tem deputado estadual. Para ele, a região só voltará a ter prioridade se eleger alguém comprometido com suas demandas.
Ao encerrar, Ivan disse que pretende usar a pré-campanha para mostrar a realidade do Rio Grande do Norte, sem “propaganda enganosa”. “Eu queria muito estar aqui para bater palma para o governo nas coisas que está acertando, mas infelizmente a gente está mostrando a realidade. Se a gente ficar achando que está vivendo no País das Maravilhas, nós não vamos ter uma mudança real”, afirmou.