O técnico Carlo Ancelotti definiu a lista final da seleção brasileira para a Copa do Mundo FIFA de 2026 horas antes da convocação oficial realizada no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. A principal decisão envolveu a presença de Neymar, que retorna ao grupo após longo período afastado por lesões e instabilidade física.
Segundo integrantes da comissão técnica, o martelo sobre os 26 convocados foi batido ainda durante a manhã, antes do almoço realizado no hotel que serviu de concentração para a delegação e dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol.

Ao chegar ao evento, Ancelotti foi tratado como principal atração da cerimônia, mas procurou reduzir o tom de expectativa em torno das escolhas.
“Não vai ser uma lista perfeita, mas faremos o possível para ter poucos erros”, afirmou o treinador.
A convocação marcou o encerramento de semanas de especulações sobre nomes experientes e jovens jogadores em ascensão. A presença de Neymar foi a mais comemorada pelo público presente, embora o técnico tenha evitado associar a decisão exclusivamente ao peso simbólico do atacante.
“Escolhemos Neymar não porque pensamos ser um bom reserva, e sim por aportar as qualidades para a equipe. Que jogue cinco, dez, não jogue, jogue 90 minutos, bata pênalti. Escolhemos os jogadores para trazer algo para a equipe. Temos que focar na qualidade de minutos, não na quantidade”, declarou.
Durante o anúncio da lista, as reações mais intensas vieram nos nomes de jogadores ligados ao Clube de Regatas do Flamengo — Léo Pereira, Danilo, Alex Sandro e Lucas Paquetá — além das convocações de Endrick, Rayan e do goleiro Weverton. A composição do grupo refletiu a tentativa de equilibrar renovação e experiência, uma das prioridades definidas pelo treinador desde sua chegada ao comando da seleção.
Ancelotti afirmou ter analisado mais de 70 jogadores ao longo do processo de convocação e disse que recebeu sugestões de jornalistas, ex-jogadores, dirigentes e até de um piloto de avião durante o período de avaliação.
“Não sinto pressão por isso. Ela vai chegar quando formos jogar o primeiro jogo da Copa. Avaliamos mais de 70 jogadores. Pressão, não. Difícil, sim”, afirmou.
O técnico também destacou que a decisão final sempre seria individual, ainda que construída em conjunto com o departamento de futebol da CBF. Durante a apresentação do evento, o coordenador de seleções, Rodrigo Caetano, afirmou que as escolhas refletiam entendimento coletivo da comissão técnica.
“Hoje somos um povo privilegiado. Tenho certeza de que as escolhas são as que entendemos ser as melhores para nos representar”, disse o dirigente.
Ancelotti evitou estabelecer metas explícitas para a campanha brasileira no Mundial, mas afirmou acreditar que a equipe tem capacidade para competir em alto nível contra as principais seleções do torneio.
“Não sou um mágico. Sou um trabalhador há 40 anos. E tenho conhecimento e confiança de que essa equipe pode competir com as melhores do mundo”, afirmou.
“Podemos chegar na final, sim. Não sei se será suficiente para ganhar”, acrescentou o treinador, que recentemente renovou contrato com a seleção brasileira até 2030.