O CDC da África, principal órgão de saúde pública do continente, confirmou a ocorrência de 395 casos de ebola e 106 mortes em um surto que atinge áreas de fronteira entre a República do Congo e Uganda.
As autoridades sanitárias admitem que o número real de infecções e óbitos pode ser maior, já que parte das mortes ocorre fora da rede oficial de saúde e há dificuldades para identificar e monitorar todos os casos.

Diante da gravidade da situação, o CDC da África classificou o episódio como Emergência de Saúde Pública de Segurança Continental, medida que busca mobilizar recursos financeiros, equipes técnicas e cooperação internacional para conter a disseminação do vírus.
O foco da doença está em uma região marcada pela intensa circulação de pessoas entre os dois países. A mobilidade populacional, somada à fragilidade dos sistemas de saúde locais e às dificuldades para implementar medidas de isolamento e rastreamento de contatos, torna o controle do surto mais complexo.
O atual surto é provocado pela cepa Bundibugyo ebolavirus, uma variante considerada rara do vírus. Até o momento, não há vacina nem tratamento específico aprovados para essa linhagem.
O ebola é uma doença altamente letal, transmitida pelo contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas infectadas. A taxa de mortalidade costuma variar entre 30% e 40%, podendo ser ainda maior em locais com assistência médica limitada.
Diretor-geral do CDC da África, Jean Kaseya alertou para o risco regional representado pelo avanço da doença.
“A confirmação do vírus ebola Bundibugyo em países interligados nos lembra, mais uma vez, que a segurança sanitária da África é indivisível. Devemos agir cedo, agir em conjunto e agir com base na ciência”, afirmou.
Kaseya ressaltou que o surto ocorre em uma área considerada de alta complexidade, caracterizada por insegurança, estruturas de saúde precárias, grande deslocamento populacional e capacidade limitada para adotar medidas de contenção adequadas. Segundo ele, essas condições aumentam o risco de propagação da doença e exigem uma resposta coordenada entre os países afetados e os organismos internacionais de saúde.