A presidente estadual do PSB, Larissa Rosado, cobrou mais avanço nas conversas para fechamento da chapa majoritária governista no Rio Grande do Norte e afirmou que, embora a definição sobre a vaga de vice possa ficar para mais adiante, seria politicamente melhor que o grupo de Cadu Xavier resolvesse logo a composição. Em entrevista ao programa Cenário Político, da TCM Mossoró, nesta terça-feira 12, Larissa disse que o PSB quer participar da majoritária, mas negou que tenha recebido convite formal para ser vice.
“A gente nunca conversou falando de um convite a mim, Larissa, para ser vice de Cadu Xavier”, afirmou. Segundo ela, a reivindicação do PSB é por espaço na chapa, sem que isso signifique necessariamente a indicação de seu nome. “Quando eu falo que o PSB quer fazer a indicação para a chapa majoritária, não necessariamente é o meu nome. Nós temos Gutemberg Dias, nós temos o advogado Luiz Gomes, nós temos várias pessoas de um partido que podem compor essa chapa, como vice, como candidata ao Senado, como suplente”, disse.

A fala expõe uma das principais pendências do campo governista para 2026. Cadu já tem sua pré-candidatura ao Governo colocada e o palanque discute a composição com Samanda Alves (PT) e Rafael Motta (PDT) para o Senado, mas a vice segue indefinida. A demora incomoda aliados porque Allyson Bezerra (União) e Álvaro Dias (PL) já se movimentam com chapas mais visíveis, agendas no interior e anúncios de apoios.
Larissa afirmou que o PT tem sinalizado calma na definição, mas discordou do ritmo. “Eu sei que a presidenta do PT e até outros políticos do PT têm dito ‘vamos com calma’, ‘essa decisão pode ficar para junho’. Na verdade, essa decisão pode ficar até para o começo de agosto. Mas eu acho que, politicamente, seria interessante que a gente pudesse avançar nessa questão”, declarou.
A dirigente reforçou que PSB, PT, PV, PCdoB, PDT, Cidadania e demais legendas do campo governista vêm dialogando sobre a formação da chapa. Segundo ela, a relação entre PSB e PT é antiga e passa também pelo plano nacional, onde o partido integra a chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). No RN, Larissa lembrou que o PSB já teve parceria com o PT em disputas anteriores, inclusive quando ela foi candidata à Prefeitura de Mossoró.
“O PSB tem uma boa relação com o PT, já temos parcerias antigas”, disse. Ela citou que o grupo vem realizando reuniões com os partidos da federação PT, PV e PCdoB, além de PSB, PDT e Cidadania, que tem federação com o PSDB. A presidente do PSB afirmou ainda que o PDT apresentou mais recentemente os nomes de Rafael Motta e Jean Paul Prates, enquanto Luizinho, do PSB, retirou a pré-candidatura ao Senado. Rivaldo Fernandes (PV) também retirou o nome da disputa.
A possível entrada do PSDB no arco governista também foi comentada. Larissa disse que o partido seria bem-vindo à aliança e destacou o peso político do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira. “O PSDB obviamente é muito bem-vindo a esse arco de alianças. Não sei se ele virá, porque existe uma questão que eles tratam lá de independência e tal, mas o deputado Ezequiel é uma pessoa muito querida, é uma liderança muito forte em sua região”, afirmou.
Sobre o perfil ideal para vice, Larissa evitou cravar nomes e disse que a escolha cabe ao candidato. Ainda assim, afirmou que a vaga precisa equilibrar a chapa, agregar articulação política, lealdade e contribuição eleitoral. “Pode ser sim um ex-prefeito na chapa de Cadu, uma ex-prefeita na chapa de Cadu, mas o que eu acho é que tem que se buscar o equilíbrio entre a articulação política, a lealdade e a contribuição em votos que essa pessoa pode dar à chapa”, declarou.
Além da disputa pela majoritária, Larissa confirmou que o PSB não terá nominata para deputado estadual no RN. O partido vai concentrar esforços na disputa por vaga na Câmara Federal. Segundo ela, cerca de 17 filiados estão colocados para a nominata de deputado federal — a chapa poderá ter, no máximo, 9 nomes. Entre os citados, está Wellington Bernardo, presidente do PSB de Natal e ligado ao movimento por moradia.
Larissa afirmou que o PSB nacional projeta crescimento na Câmara dos Deputados. Segundo ela, o presidente nacional da legenda, o ex-prefeito do Recife (PE) João Campos, calcula que o partido pode sair do atual patamar de cerca de 17 deputados federais para 27 na próxima eleição. No Rio Grande do Norte, a meta é conquistar espaço na bancada federal.
A presidente estadual do PSB também defendeu a tese de que a eleição estadual será nacionalizada. Para ela, o debate entre o “time de Lula” e os adversários deve chegar ao Rio Grande do Norte com força. Larissa disse acreditar que Cadu, apesar de aparecer hoje em terceiro lugar nas pesquisas, tem crescimento consistente e chegará ao segundo turno.
Ela citou obras e ações associadas aos governos Fátima Bezerra (PT) e Lula como trunfos do palanque governista, incluindo a reforma e ampliação do Hospital Tarcísio Maia, a duplicação da BR-304, investimentos em educação, segurança e fortalecimento da Uern. “Nós, do time de Lula, do time de Cadu, defendemos uma universidade pública, forte, acessível às pessoas”, afirmou.
Larissa também criticou a fala de Álvaro Dias sobre estudos envolvendo a Uern. Disse que a universidade é “solução” e “realizadora de sonhos” para jovens potiguares. Ao mesmo tempo, reconheceu que Fátima Bezerra enfrenta rejeição nas pesquisas e atribuiu parte do problema à dificuldade de comunicação das realizações do governo.
No fim da entrevista, Larissa voltou ao tema da representação política de Mossoró. Disse que seu nome está à disposição do PSB para a disputa federal e criticou políticos que aparecem na cidade apenas para pedir votos. Para ela, Mossoró precisa votar em nomes com identidade local, capazes de voltar à cidade, prestar contas e destinar emendas para suas necessidades.