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Caso Orelha

MPSC pede para arquivar caso Orelha

Promotoria afirma que animal morreu por infecção grave e critica condução da investigação da Polícia Civil
Por O Correio de Hoje
13/05/2026 | 13:24

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu o arquivamento da investigação envolvendo a morte do cão Orelha, caso que ganhou grande repercussão nacional após denúncias de supostos maus-tratos atribuídos a adolescentes em Florianópolis. Em parecer encaminhado à Justiça, a Promotoria concluiu que o animal morreu em decorrência de uma infecção grave e criticou duramente a condução da investigação realizada pela Polícia Civil.

O documento, assinado pelo promotor João Ulysses Gabriel, sustenta que não foram encontrados elementos que comprovem a prática de maus-tratos ou agressões contra o cachorro. O parecer também afirma que a investigação acabou construída a partir de uma “narrativa” que teria ignorado provas e laudos técnicos apresentados posteriormente.

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MPSC afirma que não há provas de maus-tratos contra o cão Orelha Foto: Reprodução

Segundo o Ministério Público, o cão apresentava um quadro avançado de infecção sistêmica e já estava debilitado antes do episódio que motivou a investigação policial. “O parecer firmado pelo MP, que associa o óbito de Orelha a uma infecção, severa e pulante, aponta falhas graves na condução da investigação policial”, destaca o documento.

O caso ganhou repercussão após vídeos e imagens circularem nas redes sociais sugerindo que o animal teria sido alvo de violência praticada por adolescentes. A mobilização provocou indignação pública e pressão por responsabilização criminal dos envolvidos.

No entanto, ao revisar os autos da investigação, o Ministério Público concluiu que não havia provas suficientes para sustentar a acusação. O promotor afirmou que parte das conclusões iniciais foi baseada em interpretações precipitadas e na repercussão social do caso.

No parecer, a Promotoria listou uma série de falhas atribuídas à investigação conduzida pela Polícia Civil catarinense. Entre os principais pontos questionados estão a ausência de preservação adequada da cena, inconsistências em laudos veterinários e interpretação considerada incompleta de exames técnicos.

O Ministério Público também afirmou que diligências importantes deixaram de ser realizadas e que algumas hipóteses foram tratadas como verdade antes da conclusão das perícias. Segundo o documento, laudos veterinários anexados ao processo apontaram que Orelha apresentava um quadro infeccioso grave compatível com septicemia.

A Promotoria afirma ainda que não houve comprovação técnica de agressões capazes de provocar a morte do animal. “O conjunto probatório não demonstra relação direta entre a conduta investigada e o óbito do cão”, aponta o parecer. O MP também criticou a divulgação antecipada de informações durante a investigação, especialmente em redes sociais e entrevistas públicas.

Para a Promotoria, a exposição contribuiu para fortalecer uma versão dos fatos antes da conclusão das análises técnicas. O parecer do Ministério Público também afasta responsabilidade criminal dos adolescentes investigados no caso. Segundo o promotor, os elementos reunidos ao longo da apuração não permitem concluir que houve prática de maus-tratos ou intenção deliberada de causar sofrimento ao animal.

O documento sustenta que parte da repercussão pública acabou influenciando a percepção inicial sobre o episódio. Além disso, a Promotoria afirmou que os jovens passaram a sofrer exposição pública excessiva durante a investigação. A defesa dos adolescentes vinha alegando desde o início que não houve violência contra o cachorro e que o animal já apresentava problemas graves de saúde.

A morte de Orelha provocou grande mobilização nas redes sociais e repercutiu nacionalmente ao longo das últimas semanas. O caso gerou protestos, manifestações de entidades de proteção animal e cobranças por punição aos supostos responsáveis.

A divulgação de imagens do cachorro debilitado aumentou a pressão pública sobre as autoridades e transformou a investigação em um dos assuntos mais comentados nas redes sociais naquele período. Agora, com o pedido formal de arquivamento feito pelo Ministério Público, a decisão final sobre o encerramento da investigação ficará sob responsabilidade da Justiça.

Caso o pedido seja aceito, o inquérito será encerrado sem apresentação de denúncia criminal. Até o momento, a Polícia Civil de Santa Catarina não havia se manifestado oficialmente sobre as críticas feitas pelo Ministério Público no parecer.