O Rio Grande do Norte registrou 10 vítimas de feminicídio entre janeiro e março de 2026, em um cenário nacional de crescimento dos casos. No mesmo período, o Brasil contabilizou 399 mulheres assassinadas, o maior número para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 2016, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O total nacional representa aumento de 7,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 371 casos. Na prática, os dados indicam uma média de quatro mulheres mortas por dia em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados por discriminação de gênero.

Entre os estados, São Paulo apresentou o maior número absoluto de casos no primeiro trimestre, com 86 vítimas, alta de 41% na comparação anual. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 42 registros, Paraná, com 33, e Bahia, com 25. Rio Grande do Sul contabilizou 24 vítimas, enquanto Pernambuco teve 22 ocorrências no período.
Especialistas avaliam que parte do crescimento pode estar relacionada ao aprimoramento dos sistemas de notificação e classificação. Mortes que antes eram registradas como homicídios comuns passaram a ser enquadradas como feminicídio após mudanças nos protocolos de investigação. Ainda assim, pesquisadores e órgãos de segurança apontam que os números refletem a permanência da violência contra mulheres em diversas regiões do País.
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica que 59,4% das vítimas foram assassinadas por parceiros íntimos, enquanto 21,3% dos casos tiveram como autor o ex-companheiro. Em muitos registros, os crimes ocorreram dentro do ambiente doméstico.
Os dados também mostram que parte das vítimas já havia buscado ajuda antes do crime. Cerca de 30% das mulheres assassinadas tinham registros prévios de denúncia contra o agressor, e 20% foram mortas em até 24 meses após o primeiro boletim de ocorrência.
A legislação brasileira tipificou o feminicídio como crime em 2015. Em 2024, a norma foi alterada para tornar o feminicídio um crime autônomo, com penas que variam de 20 a 40 anos de prisão, podendo chegar a 60 anos em casos com agravantes.
O governo federal afirma ter ampliado ações de enfrentamento, como o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e projetos de monitoramento eletrônico de agressores, incluindo a integração de tornozeleiras com aplicativos de emergência. Também foi anunciada a criação do Centro Integrado Mulher Segura, voltado à articulação da rede de proteção.
Apesar das iniciativas, especialistas apontam que falhas na fiscalização, demora na resposta estatal e fragilidades na rede de proteção ainda comprometem a efetividade das medidas. Organizações de defesa dos direitos das mulheres defendem a ampliação de políticas públicas permanentes de prevenção, acolhimento e proteção.
Os números do primeiro trimestre reforçam o cenário de crescimento dos casos no país e ampliam o debate sobre segurança pública e a eficácia das políticas de combate à violência de gênero.
Dados de vítimas de feminicídio em cada estado no 1º Tri
