BUSCAR
BUSCAR
Gravidez

Gravidez de mulheres negras tem mais riscos

Pesquisa da Universidade de Cambridge relaciona desigualdades sociais e racismo sistêmico a impactos biológicos na gestação
Por O Correio de Hoje
30/04/2026 | 14:47

Uma análise conduzida por pesquisadores da Universidade de Cambridge indica que mulheres negras enfrentam maior risco de complicações durante a gravidez em razão de fatores socioambientais, como o racismo sistêmico e as desigualdades econômicas. Esses elementos, segundo o estudo, exercem impacto direto no funcionamento biológico do organismo, elevando a probabilidade de desfechos adversos.

O trabalho reuniu dados de 44 pesquisas e avaliou três mecanismos fisiológicos associados a complicações gestacionais: estresse oxidativo, inflamação e resistência vascular uteroplacentária. Os resultados mostram que mulheres negras apresentam níveis mais elevados nessas três dimensões, o que pode comprometer o desenvolvimento saudável da gestação.

young asian pregnant woman holding her belly talking with her child mom feeling happy smiling positive peaceful while take care baby pregnancy near window living room home
Estudo aponta maior risco de complicações na gravidez entre mulheres negras - Foto: Freepik

Publicado na revista Trends in Endocrinology and Metabolism, o estudo busca compreender as razões por trás das desigualdades já observadas em indicadores de saúde materna. Entre os principais riscos associados estão a pré-eclâmpsia — condição que afeta entre 3% e 7% das gestantes —, o parto prematuro e restrições no crescimento fetal.

“A gravidez e o parto impõem um grande estresse ao corpo da mulher. Mulheres negras podem sofrer um estresse adicional devido a fatores como racismo sistêmico, desvantagem socioeconômica e estressores ambientais”, afirmou Grace Amedor, da Universidade de Cambridge e principal autora do estudo, ao jornal britânico The Guardian.

Segundo a pesquisadora, esses fatores externos interferem em processos biológicos fundamentais, aumentando a vulnerabilidade a complicações. “Fiquei surpresa ao descobrir que, embora essa disparidade fosse conhecida há muito tempo, havia pouca pesquisa sobre as possíveis razões fisiológicas subjacentes”, disse Amedor.

Entre os mecanismos identificados, o aumento da resistência vascular uteroplacentária se destaca por reduzir o fluxo sanguíneo até a placenta, comprometendo o fornecimento de nutrientes e oxigênio ao feto. Já o estresse oxidativo ocorre quando há acúmulo de moléculas nocivas, chamadas espécies reativas de oxigênio, que ultrapassam a capacidade de defesa antioxidante do organismo.

A inflamação elevada também aparece como fator relevante, estando associada a piores resultados gestacionais. A combinação desses três processos aumenta o risco de complicações que afetam tanto a saúde da gestante quanto a do bebê.

Os dados reforçam disparidades já documentadas em diferentes países. No Reino Unido, por exemplo, mulheres negras têm 2,7 vezes mais probabilidade de morrer durante o parto em comparação com mulheres brancas. Além disso, estão mais expostas a complicações graves e a transtornos mentais no período perinatal.