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Saúde

Entenda causas da dor nas costas

Atividade física é essencial na prevenção e no tratamento; médico explica sintomas
Por O Correio de Hoje
30/04/2026 | 14:19

A dor na coluna é uma das queixas mais frequentes nos consultórios e pode atingir pessoas de diferentes idades, sendo, na maioria dos casos, de origem mecânica. A avaliação é do médico ortopedista Sesiom Wanderley, que explicou, em entrevista à 95 FM de Caicó, que nem toda dor nas costas está relacionada a doenças graves e que o tratamento costuma ser conservador.

“Dor lombar, dor nas costas, é algo comum, é algo corriqueiro que chega bastante no nosso consultório, é uma das queixas mais importantes e é uma situação que praticamente todo mundo vai vivenciar um dia”, afirmou. Segundo ele, “normalmente é uma dor de origem mecânica, não é uma dor de origem patológica”.

dor nas costas
Dor na coluna está entre as queixas mais comuns; segundo o médico ortopedista Sesiom Wanderley, o problema costuma estar ligado a sobrecarga e postura - Foto: Reprodução

O médico destacou que dores musculares e posturais estão entre as principais causas, especialmente em pessoas que realizam atividades com sobrecarga. “Aquele paciente que trabalha elevando peso, com aquela carga excessiva na coluna, isso normalmente vai causar dor nas costas”, disse. Nesses casos, o tratamento envolve mudança de hábitos e fortalecimento muscular.

Sesiom Wanderley explicou que o disco intervertebral, estrutura localizada entre as vértebras, funciona como um amortecedor. “É como se fosse um amortecedor que existe entre as nossas vértebras. E esse disco vai servir como estabilizador da coluna, vai estar ali fixo aos corpos vertebrais, e eles vão absorver a energia”, detalhou.

Com o passar do tempo, ocorre a degeneração natural desses discos. O médico afirmou que há fases diferentes, variando conforme a idade. Entre 15 e 45 anos, pode ocorrer disfunção com lesões no disco. Já entre 40 e 70 anos, surgem quadros de instabilidade. Em idosos, há formação de osteófitos, conhecidos como “bicos de papagaio”. Ele ressaltou que essas faixas etárias não são regras.

O diagnóstico deve ser feito com base em avaliação clínica. “É um diagnóstico que precisa passar por um exame físico bem realizado, anamnese, e em alguns casos necessária a solicitação de um exame de imagem”, disse. A ressonância magnética é considerada o padrão-ouro para identificar hérnia de disco.

O médico também alertou que nem toda dor na região lombar tem origem na coluna. “Ali naquela região tem inúmeras estruturas, e nem sempre essa dor é de origem da coluna vertebral”, afirmou, citando problemas musculares, articulação sacroilíaca e compressão do nervo ciático como possíveis causas.

Exames de imagem não são indicados para todos os casos. Segundo ele, a solicitação deve ocorrer apenas diante de sinais de alerta. “É aquele paciente que tem febre, que vai nos pensar em ser um quadro infeccioso. É aquele paciente que tem uma perda de peso […] que vai nos levar a pensar em um quadro oncológico”, explicou.

A prática de atividade física foi apontada como essencial tanto na prevenção quanto no tratamento. Sesiom Wanderley afirmou que a maioria dos pacientes pode realizar caminhadas. Ele acrescentou que retirar o paciente da atividade física pode piorar o quadro.

Para pessoas com artrose, a recomendação é atividade leve a moderada. “A caminhada para as situações de artrose do quadril […] deve ser de 20 a 30 minutos”, orientou, destacando ainda a importância da perda de peso e do fortalecimento muscular.

Sobre hérnia de disco, o médico afirmou que o tratamento inicial é conservador em cerca de 90% dos casos. “Medidas medicamentosas, como anti-inflamatórios, analgésicos. A fisioterapia caminha juntamente com a gente nesses casos”, disse. Ele reforçou que “o sucesso do tratamento depende da mudança do hábito de vida”.

Casos mais graves podem exigir intervenção. “Existem os casos cirúrgicos, quando o paciente não fica bom de jeito nenhum”, explicou, citando técnicas minimamente invasivas e procedimentos para controle da dor.

O especialista também alertou que apenas o uso de medicamentos não resolve o problema. “Se você tomar só o remédio, vai ser só uma maquiagem mesmo”, afirmou, destacando a necessidade de fortalecimento muscular e reabilitação.

Ele afirmou que a hérnia de disco é uma das condições mais frequentes na prática clínica e pode causar incapacidade durante crises. “Quando está em uma crise de hérnia de disco, quem está me escutando aí sabe que não consegue. O cara não consegue vestir nenhuma roupa direito”, relatou.

O médico também destacou que viver com dor pode trazer impactos além do físico. “O que não pode é o paciente viver com dor. Ninguém merece viver com dor. E dor leva a consequências psicossociais para o paciente”, disse.

A prevenção, segundo o especialista, está relacionada à manutenção do peso e da musculatura. “Prevenir a hérnia de disco é sempre manter uma musculatura trófica, manter o peso em dia”, afirmou, ressaltando que o sobrepeso aumenta a sobrecarga sobre a coluna e articulações.