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Cinema

Anne Hathaway retorna a grandes produções com agenda intensa em 2026

Atriz participa de cinco lançamentos, incluindo “O Diabo Veste Prada 2” e novo filme dirigido por Christopher Nolan
Por O Correio de Hoje
29/04/2026 | 13:49

Após um período de maior distanciamento dos grandes projetos de Hollywood, a atriz Anne Hathaway volta ao centro da indústria com uma agenda intensa de lançamentos. Em 2026, ela participa de cinco produções, entre elas a aguardada sequência de O Diabo Veste Prada, além de títulos de perfis distintos que marcam um novo momento em sua trajetória profissional.

Conhecida por papéis que vão de produções comerciais a projetos autorais, Hathaway construiu uma carreira marcada por equilíbrio entre diferentes linguagens. Desde o sucesso inicial com O Diário da Princesa, passando por O Diabo Veste Prada e pela atuação premiada em Os Miseráveis — que lhe rendeu o Oscar em 2013 —, a atriz transitou entre grandes bilheterias e produções independentes.

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Anne Hathaway volta aos grandes projetos - Foto: Reprodução

Nos últimos anos, no entanto, optou por uma presença mais discreta, motivada por questões pessoais, como o crescimento da família, e também por um desgaste com a exposição pública. Ela descreve esse período como uma fase em que buscou maior tranquilidade. “Achei que estava na seção pequena e estranha de filmes independentes da minha carreira”, afirmou em entrevista ao podcast cultural do The New York Times.

Agora, a atriz retorna a produções de maior visibilidade. Entre os lançamentos está Mother Mary, dirigido por David Lowery, em que interpreta uma cantora pop em crise — personagem inspirada em figuras como Taylor Swift e Lady Gaga. O filme conta com músicas assinadas por Charli XCX, Jack Antonoff e FKA Twigs.

A preparação para o papel exigiu uma mudança significativa em sua abordagem artística. Acostumada ao teatro musical, Hathaway relata dificuldades iniciais ao lidar com o universo do pop. “Para meu horror e consternação, percebi que não tinha ideia de como cantar em um microfone, porque todo o meu treinamento foi no palco. A música pop é o oposto. É poder sem esforço, o que não é muito a minha praia. Eu sou toda baseada no esforço”, disse.

Ela também destaca que não tinha uma visão definida da personagem no início das filmagens. “Recebi uma mensagem do Jack e ele disse: ‘Ei, você quer vir aqui e pegar uma vibe?’. Eu não sabia o que era uma vibe, mas pensei: ‘Isso é um termo técnico?’”, contou, ressaltando o processo de adaptação a uma linguagem artística diferente da que estava habituada.

O retorno a papéis mais amplos também inclui a reprise de Andy Sachs, personagem que marcou sua carreira em O Diabo Veste Prada. A nova fase, segundo a atriz, só foi possível após um amadurecimento pessoal. “Antes disso, eu sentia que não estava pronta como pessoa. Não estava pronta como artista. Eu precisava me desenvolver mais, caso contrário eu simplesmente seria devorada viva”, afirmou.

Aos 43 anos, Hathaway avalia que passou a lidar de forma diferente com a exposição e a pressão da indústria. “Eu costumava ser uma pessoa muito movida pelo medo. Eu tinha um sistema de proteção como uma cerca elétrica, e não estou mais tão interessada nisso”, disse. A mudança de perspectiva veio com o tempo. “Algo aconteceu quando fiz 40 anos e percebi que estava vivendo minha vida como se fosse um ensaio geral. E que, na verdade, era a hora do show.”

Além dos projetos já citados, a atriz também integra o elenco de A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan, e participa de Verity, adaptação do best-seller de Colleen Hoover, sob direção de Michael Showalter. Outro projeto previsto é O Fim da Rua, drama ambientado nos anos 1980.

Ao revisitar sua trajetória, Hathaway também comenta as escolhas feitas ao longo da carreira, especialmente após o sucesso inicial. “Quando o primeiro ‘O Diabo…’ saiu, comecei a receber roteiros e pensei: ‘São todos a mesma personagem. E lembro de pensar: É a isso que você tem que resistir agora’”, afirmou.

Para a atriz, o processo de atuação envolve compartilhar experiências por meio dos personagens. “O que eu amo fazer é compartilhar o que passei através de um avatar. Mas eu não preciso falar sobre isso. Com uma estrela pop, a imagem que você está projetando é baseada em você mesma. E então você é o seu próprio avatar”, disse.

O momento atual marca uma reaproximação com grandes produções sem abandonar a diversidade de projetos. Ao mesmo tempo, evidencia uma postura mais segura diante das demandas da indústria, em uma fase em que, segundo a própria atriz, o foco está menos na defesa constante e mais na liberdade de criação.