O veterinário Tarcísio Barreto afirmou, em entrevista nesta sexta-feira 24, que a alimentação industrializada para cães pode provocar inflamação crônica e contribuir para o surgimento de doenças. Ele defende um modelo de nutrição baseado em carne, inspirado na dieta ancestral dos animais, como alternativa para prevenção de problemas de saúde.
Segundo Tarcísio Barreto, o conceito do alimento que desenvolveu surgiu a partir da observação de práticas antigas de alimentação animal e da necessidade de oferecer uma dieta mais próxima do funcionamento fisiológico dos cães. “Hoje, você se depara com a indústria jogando um produto, um biscoito, e esse biscoito seco foge completamente do cenário fisiológico deles de nutrição”, afirmou, em entrevista à Mix FM.

Ele criticou o consumo diário de ração e associou o hábito a processos inflamatórios. “Se você come ração, o que a ração gera? Inflamação crônica”, disse. O veterinário acrescentou que produtos industrializados podem conter altos índices de açúcar. “20% de açúcar, todo dia”, afirmou.
Tarcísio Barreto explicou que sua formação o levou a investigar a relação entre nutrição e problemas ósseos. “A fratura acontece quando você inflama a máquina, e essa máquina inflamada tem que desinflamar”, declarou. Segundo ele, o processo envolve a retirada de minerais do sistema esquelético, o que fragilizaria ossos e ligamentos.
O produto desenvolvido por ele é descrito como uma dieta crua, composta majoritariamente por carne, água, gordura e vísceras, sem conservantes. “É um conceito ancestral de alimentar cães. Resgatar o ancestralismo faz todo sentido hoje em dia”, disse.
O veterinário também afirmou que o alimento pode ser oferecido cru ou levemente selado, dependendo da preferência do tutor e do animal. “Se você sela, se você entrega um produto já pré-cozido, ele facilita a digestão”, explicou. De acordo com ele, a proposta também envolve a diferenciação entre alimentar e nutrir. “Tem que diferenciar o que é alimento e o que é nutrição. Nutrir é diferente de alimentar”, disse.
Ele defendeu ainda que a rotina dos animais deve incluir atividade física e exposição ao sol, e criticou o sedentarismo. Também comentou que o excesso de gordura pode causar diarreia, e que isso está relacionado ao consumo acima do necessário.
Com 23 anos de carreira, ele também atua como escritor e tem livros publicados sobre longevidade animal. “O primeiro é ‘O segredo da longevidade’, de 2019”, afirmou. Segundo ele, a expectativa de vida dos cães poderia ser maior. “O cão era para estar vivendo 20, 25 anos. Hoje está nos 15”, disse.