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Mundo

FMI diz que guerra será boa para o Brasil

Revisão reflete impacto da crise no Oriente Médio e alta nos preços de energia
Por O Correio de Hoje
14/04/2026 | 15:31

O Fundo Monetário Internacional revisou para baixo suas projeções de crescimento da economia global em 2026, refletindo os impactos da guerra no Oriente Médio e o choque nos preços de energia. Ao mesmo tempo, o Brasil teve sua estimativa de expansão levemente elevada, segundo o relatório World Economic Outlook divulgado nesta terça-feira 14.

A previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial caiu de 3,3% para 3,1% em 2026. Para o Brasil, a estimativa subiu de 1,6% para 1,9% no mesmo período, colocando o país entre as economias com revisão positiva, ao lado da Rússia.

FMI
Choque do petróleo pressiona, mas abre portas para produtos do Brasil - Foto: Reprodução

De acordo com o Fundo, o principal fator para a revisão global foi a alta dos preços dos combustíveis, já classificada pela Agência Internacional de Energia como o maior choque do petróleo da história. O avanço dos custos energéticos interrompeu a trajetória de crescimento mais consistente observada até então.

“Antes do conflito, estávamos prestes a revisar para cima nossa projeção de crescimento global. A guerra no Oriente Médio deve sobrepor-se a esses fatores subjacentes”, destaca o relatório.

Apesar da melhora na projeção, o desempenho brasileiro segue abaixo de outras economias emergentes. O FMI estima crescimento de 6,5% para a Índia e de 4,4% para a China em 2026.

Segundo o Fundo, o Brasil pode se beneficiar no curto prazo do cenário externo por ser exportador líquido de energia. Ainda assim, o crescimento projetado permanece inferior ao de outros países produtores de petróleo, como Arábia Saudita (3,1%) e Nigéria (4,1%).

Para 2027, o cenário se torna mais desafiador. A previsão de crescimento do PIB brasileiro foi reduzida para 2%, ficando 0,3 ponto percentual abaixo da estimativa anterior. O FMI aponta que a desaceleração da demanda global, o aumento dos custos de insumos — incluindo fertilizantes — e condições financeiras mais restritivas devem limitar a expansão da economia.

Ainda assim, o Fundo avalia que o país possui fundamentos que podem mitigar os efeitos do choque externo, como reservas internacionais robustas, menor dependência de dívida em moeda estrangeira e regime de câmbio flexível.

No cenário base, o FMI considera que o conflito no Oriente Médio terá duração relativamente curta, o que ajuda a evitar uma desaceleração mais acentuada da economia global. Para 2027, a projeção mundial foi mantida em 3,2%.

No entanto, o relatório apresenta cenários alternativos mais negativos. Em um cenário adverso, com prolongamento das tensões e interrupções no fluxo de energia — especialmente no Estreito de Ormuz —, o crescimento global poderia cair para cerca de 2,5% em 2026, com inflação atingindo 5,4%.

Já em um cenário mais severo, com disrupções prolongadas no fornecimento de petróleo e gás, a inflação global poderia superar 6%, enquanto o crescimento cairia para próximo de 2%, nível considerado próximo de recessão.

Diante desse ambiente, o FMI recomenda que bancos centrais priorizem o combate à inflação, mesmo que isso implique menor crescimento no curto prazo. O relatório também sugere cautela na política fiscal, com foco em medidas temporárias e direcionadas.

Segundo o Fundo, ações como subsídios generalizados ou controle de preços podem ter custo elevado e baixa eficácia, especialmente em um contexto de restrição orçamentária e inflação elevada.

O cenário atual é comparado à crise energética de 2022, mas com diferenças relevantes. Embora a inflação estivesse mais controlada antes do novo choque, a sensibilidade das expectativas inflacionárias aumentou, o que pode tornar o processo de desinflação mais custoso em termos de atividade econômica.