As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram nesta terça-feira 14, que nenhuma embarcação conseguiu atravessar o bloqueio naval imposto no Estreito de Ormuz nas primeiras 24 horas da operação, intensificando a pressão sobre o Irã e elevando a tensão nos mercados internacionais de energia.
A ação foi iniciada na segunda-feira 13, quando o governo de Donald Trump posicionou 12 navios de guerra na entrada do estreito, no Golfo de Omã, com o objetivo de impedir a circulação de embarcações ligadas ao Irã ou destinadas a seus portos.

Segundo comunicado oficial, cerca de 10 mil militares — entre marinheiros, fuzileiros navais e aviadores — participam da operação, que conta também com “dezenas” de aeronaves para monitoramento e controle da região.
No período inicial do bloqueio, seis embarcações mercantes foram obrigadas a alterar suas rotas e retornar a portos iranianos após ordens das forças norte-americanas. Dados de plataformas de monitoramento marítimo indicam que pelo menos dois petroleiros de origem chinesa mudaram de direção após se aproximarem da área bloqueada.
Entre eles está o navio-tanque Rich Starry, sancionado pelos Estados Unidos por manter relações comerciais com o Irã. A embarcação, com capacidade para cerca de 250 mil barris de metanol, chegou a atravessar o estreito, mas recuou ao atingir o Golfo de Omã, retornando em direção à área de origem.
Outros petroleiros monitorados — como Elpis, Peace Gulf e Murlikishan — também apresentam rotas incertas ou movimentos limitados na região, refletindo o impacto direto da operação sobre o tráfego marítimo.
O Estreito de Ormuz é considerado um dos principais corredores logísticos do mundo, por onde passa cerca de 20% do petróleo global. Desde o início do conflito envolvendo o Irã, a passagem vinha operando com restrições, permitindo a circulação de embarcações vinculadas a parceiros estratégicos mediante pagamento de taxas.
A nova medida dos Estados Unidos altera esse cenário ao restringir de forma mais ampla o fluxo de navios, inclusive aqueles que vinham utilizando o estreito sob acordos com o governo iraniano. Segundo Trump, a estratégia visa impedir que Teerã continue obtendo receitas com exportações de petróleo.
“Não vamos deixar o Irã lucrar vendendo petróleo para quem eles gostam”, afirmou o presidente, ao justificar a decisão de ampliar o controle naval na região.
Analistas avaliam que o bloqueio representa uma tentativa de estrangulamento financeiro do Irã, semelhante a estratégias adotadas anteriormente em outros contextos geopolíticos. O petróleo responde por parcela relevante da economia iraniana, com exportações médias de cerca de 1,85 milhão de barris por dia.
A medida, no entanto, gerou reações internacionais. O Ministério das Relações Exteriores da China classificou o bloqueio como “perigoso e irresponsável”, alertando para o risco de escalada das tensões.
O movimento também mantém elevada a volatilidade nos mercados globais, com investidores atentos aos impactos sobre a oferta de petróleo e a inflação. A interrupção parcial de uma das principais rotas energéticas do mundo reforça o grau de incerteza em torno da evolução do conflito e de seus desdobramentos econômicos.