A Meta demitiu cerca de 700 funcionários na última quarta-feira 25, em mais uma rodada de cortes enquanto reorganiza suas prioridades com foco em inteligência artificial (IA). As demissões ocorreram menos de 24 horas após a companhia anunciar um novo programa de ações destinado a seis executivos de alto escalão, com potencial de elevar a remuneração de alguns deles em até US$ 921 milhões ao longo de cinco anos.
Segundo a empresa, o incentivo tem como objetivo reter talentos em um cenário de forte competição no setor de IA e sustentar planos de expansão. A combinação entre desligamentos e bônus elevados evidencia a mudança de estratégia da indústria de tecnologia, impulsionada pelo avanço da IA.

Nos últimos anos, a Meta vem buscando diversificar suas atividades além das redes sociais e do metaverso. O CEO Mark Zuckerberg declarou que a companhia pretende desenvolver uma “superinteligência”, descrita como uma IA avançada com potencial de atuar como assistente pessoal.
Em 2025, Zuckerberg direcionou bilhões de dólares para a contratação de especialistas em IA. Paralelamente, a empresa já havia planejado reduzir entre 10% e 15% da divisão Reality Labs, responsável por iniciativas em realidade virtual e metaverso.
Os cortes mais recentes agravaram um cenário adverso para a empresa. No mesmo dia, um júri de Los Angeles considerou a Meta responsável por danos a um jovem usuário em razão de recursos considerados viciantes no Instagram, decisão que pode abrir precedentes para novas ações judiciais envolvendo plataformas digitais e saúde mental.
Além da Reality Labs, as demissões também atingiram áreas como recrutamento, vendas e a divisão do Facebook, segundo fontes. Apesar de representarem uma parcela reduzida do quadro total — estimado em 78 mil funcionários —, os cortes indicam o redirecionamento estratégico da companhia.
“Equipes em toda a Meta passam regularmente por reestruturações ou mudanças para garantir que estejam na melhor posição para alcançar seus objetivos”, informou a empresa em nota. “Sempre que possível, buscamos outras oportunidades para os funcionários cujos cargos possam ser impactados.”
As demissões foram divulgadas inicialmente pelo site The Information. Antes disso, a Meta havia detalhado o novo programa de ações voltado a seis executivos: Andrew Bosworth (tecnologia), Chris Cox (produto), Susan Li (finanças), Javier Olivan (operações), Dina Powell McCormick (presidência e vice-chair) e C.J. Mahoney (jurídico).
O plano prevê a concessão de opções de ações condicionadas ao cumprimento de metas de crescimento. A principal delas é elevar o valor de mercado da empresa para US$ 9 trilhões até 2031 — atualmente estimado em cerca de US$ 1,5 trilhão.
Caso os objetivos sejam atingidos, executivos como Bosworth, Cox e Olivan poderão receber até US$ 921 milhões em ações, segundo análise da consultoria Equilar. Para Susan Li, o valor potencial é de até US$ 161 milhões.
Esta é a primeira vez desde a abertura de capital, em 2012 — quando ainda operava como Facebook — que a empresa concede opções de ações adicionais a executivos. Em comunicado, a Meta afirmou que a iniciativa busca manter competitividade frente a rivais no setor de IA e incentivar a liderança. Zuckerberg, no entanto, não foi incluído no programa.