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Economia

Taxa de inovação na indústria recua pelo terceiro ano seguido, aponta IBGE

Queda é associada a juros elevados e menor ritmo de investimentos; empresas maiores mantêm maior capacidade inovadora
Por O Correio de Hoje
20/03/2026 | 11:09

A taxa de inovação nas indústrias extrativas e de transformação voltou a recuar em 2024, atingindo 64,4% das empresas com 100 ou mais empregados, segundo a Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma queda de 0,2 ponto percentual em relação a 2023 e marca o terceiro recuo consecutivo do indicador, que chegou a 70,5% em 2021.

Ao todo, o país contabilizava 10.165 empresas nesse grupo, das quais pouco mais de seis em cada dez introduziram produtos novos ou substancialmente aprimorados ou adotaram processos de negócios inovadores. A taxa, no entanto, segue mais elevada entre empresas de maior porte, alcançando 75,4% naquelas com mais de 500 empregados.

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A taxa de inovação nas indústrias extrativas e de transformação voltou a recuar em 2024 - Foto: reprodução

A redução no indicador é atribuída, em parte, ao cenário macroeconômico dos últimos anos. Segundo o analista da Pintec, Flávio Peixoto, o período pós-pandemia concentrou investimentos represados em 2021, enquanto os anos seguintes foram marcados por maior estabilidade e restrições financeiras. “A taxa de investimentos caiu e houve alta da taxa de juros, a Selic”, afirmou.

A inovação simultânea em produtos e processos também perdeu fôlego, atingindo 32,7% das empresas em 2024, o menor nível desde o início da série semestral, em 2021. Já as empresas que inovaram exclusivamente em produtos registraram a menor taxa do período, com 12,5%. Em contrapartida, a inovação restrita a processos de negócios avançou para 19,2%, alta de 2,6 pontos percentuais em relação a 2023.

Por setor, a liderança em inovação ficou com a fabricação de produtos químicos, com taxa de 84,5%, seguida por máquinas e materiais elétricos (82,1%) e móveis (77,1%). Na outra ponta, a indústria de produtos do fumo apresentou o menor índice, de 29,8%.

O levantamento mostra ainda que 32,9% das empresas realizaram investimentos internos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), o menor percentual desde 2021. Ainda assim, os dispêndios totais em P&D cresceram em termos nominais, alcançando R$ 39,9 bilhões em 2024, ante R$ 38,2 bilhões no ano anterior. A indústria de transformação concentrou a maior parte desses recursos, com R$ 34,1 bilhões, enquanto as indústrias extrativas responderam por R$ 5,8 bilhões.

O uso de instrumentos de apoio público também aumentou, alcançando 38,6% das empresas inovadoras, ante 36,3% em 2023. O principal mecanismo foi o incentivo fiscal à pesquisa e desenvolvimento e inovação tecnológica, utilizado por 28,9% das empresas.

Apesar da desaceleração recente, a expectativa do setor é de retomada gradual. Segundo a Pintec, 96,4% das empresas inovadoras pretendem manter ou ampliar os investimentos em P&D em 2025, sinalizando continuidade das estratégias de inovação no médio prazo.