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Economia

Ricos ampliam posição em renda fixa diante de incertezas geopolíticas e dúvidas sobre cortes da Selic

Levantamento da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) indica que títulos conservadores já representam mais da metade das carteiras de investidores de maior patrimônio
Por O Correio de Hoje
16/03/2026 | 10:15

A preferência dos investidores de maior patrimônio por aplicações conservadoras tende a se intensificar em meio ao aumento das incertezas geopolíticas e às dúvidas sobre o ritmo de cortes da taxa básica de juros no Brasil. Mesmo antes de o conflito entre Estados Unidos e Irã ganhar espaço no radar do mercado, a renda fixa já liderava a alocação de recursos desse público e pode ampliar sua participação nas carteiras.

Levantamento mensal da Bolsa de Valores de São Paulo mostra que, em fevereiro, a renda fixa respondia por 50,85% dos investimentos desse grupo. Em seguida apareciam os fundos multimercados, com 26,29%. Os ativos de previdência representavam 8,30% das carteiras, seguidos por ações (6,99%), pela categoria “outros” — que inclui, por exemplo, criptomoedas — com 6,25%, e pelos ativos imobiliários, com 1,32%.

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Levantamento utiliza dados processados pela plataforma da B3 - Foto: Divulgação / B3

O levantamento utiliza dados processados pela plataforma da B3, que analisa diariamente mais de 560 mil extratos de investimentos e monitora um patrimônio superior a R$ 270 bilhões. A base reúne investidores dos segmentos de varejo — com patrimônio entre R$ 50 mil e R$ 300 mil, que representam 27,43% do total —, de alta renda (entre R$ 300 mil e R$ 3 milhões, com 38,62%), private (entre R$ 3 milhões e R$ 50 milhões, com 29,90%) e ultra high, com patrimônio acima de R$ 50 milhões, que correspondem a 4,04% do total analisado.

Dentro da renda fixa, os ativos mais presentes nas carteiras são os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) atrelados à taxa Selic ou ao CDI, que concentram 51,70% da alocação nessa classe.

Na sequência aparecem as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCIs e LCAs), também vinculadas ao CDI, que representam 18,40% dos investimentos em renda fixa.

Com participação menor, completam o grupo dos principais títulos os Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRIs e CRAs), que respondem por 6,47% da carteira dessa classe de ativos.

Embora representem parcela menor da carteira, os ativos de renda variável também fazem parte da estratégia dos investidores de maior patrimônio. A preferência recai sobre ações consideradas mais resilientes a ciclos econômicos adversos e sobre fundos de índice (ETFs) negociados em bolsa.

Entre os papéis mais presentes nas carteiras aparecem as ações do Banco do Brasil e da BB Seguridade. Empresas do setor financeiro são vistas como capazes de preservar margens mesmo em cenários de maior volatilidade.

Também figuram entre as preferências companhias exportadoras de commodities, como Petrobras e Vale. Esses papéis tendem a ter menor dependência do mercado doméstico e costumam atrair capital estrangeiro em períodos de incerteza.

Entre os ETFs mais utilizados para diversificação aparecem o B5P211, que acompanha o índice IMA-B5 P2 — composto por títulos públicos indexados à inflação com prazo inferior a cinco anos —, o WRDL11, que replica uma cesta global de ações de mercados desenvolvidos e emergentes, além do GOLD11, que oferece exposição ao ouro, e do HASH11, vinculado a um índice de criptomoedas.

Outro ativo presente nas carteiras são os BDRs da fabricante de semicondutores Nvidia, que permitem ao investidor brasileiro ter exposição a ações negociadas no exterior.

O conjunto das escolhas revela uma estratégia que combina proteção em renda fixa com exposição seletiva a ativos de risco, em busca de diversificação e de eventuais ganhos em diferentes cenários econômicos.