A preferência dos investidores de maior patrimônio por aplicações conservadoras tende a se intensificar em meio ao aumento das incertezas geopolíticas e às dúvidas sobre o ritmo de cortes da taxa básica de juros no Brasil. Mesmo antes de o conflito entre Estados Unidos e Irã ganhar espaço no radar do mercado, a renda fixa já liderava a alocação de recursos desse público e pode ampliar sua participação nas carteiras.
Levantamento mensal da Bolsa de Valores de São Paulo mostra que, em fevereiro, a renda fixa respondia por 50,85% dos investimentos desse grupo. Em seguida apareciam os fundos multimercados, com 26,29%. Os ativos de previdência representavam 8,30% das carteiras, seguidos por ações (6,99%), pela categoria “outros” — que inclui, por exemplo, criptomoedas — com 6,25%, e pelos ativos imobiliários, com 1,32%.

O levantamento utiliza dados processados pela plataforma da B3, que analisa diariamente mais de 560 mil extratos de investimentos e monitora um patrimônio superior a R$ 270 bilhões. A base reúne investidores dos segmentos de varejo — com patrimônio entre R$ 50 mil e R$ 300 mil, que representam 27,43% do total —, de alta renda (entre R$ 300 mil e R$ 3 milhões, com 38,62%), private (entre R$ 3 milhões e R$ 50 milhões, com 29,90%) e ultra high, com patrimônio acima de R$ 50 milhões, que correspondem a 4,04% do total analisado.
Dentro da renda fixa, os ativos mais presentes nas carteiras são os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) atrelados à taxa Selic ou ao CDI, que concentram 51,70% da alocação nessa classe.
Na sequência aparecem as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCIs e LCAs), também vinculadas ao CDI, que representam 18,40% dos investimentos em renda fixa.
Com participação menor, completam o grupo dos principais títulos os Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRIs e CRAs), que respondem por 6,47% da carteira dessa classe de ativos.
Embora representem parcela menor da carteira, os ativos de renda variável também fazem parte da estratégia dos investidores de maior patrimônio. A preferência recai sobre ações consideradas mais resilientes a ciclos econômicos adversos e sobre fundos de índice (ETFs) negociados em bolsa.
Entre os papéis mais presentes nas carteiras aparecem as ações do Banco do Brasil e da BB Seguridade. Empresas do setor financeiro são vistas como capazes de preservar margens mesmo em cenários de maior volatilidade.
Também figuram entre as preferências companhias exportadoras de commodities, como Petrobras e Vale. Esses papéis tendem a ter menor dependência do mercado doméstico e costumam atrair capital estrangeiro em períodos de incerteza.
Entre os ETFs mais utilizados para diversificação aparecem o B5P211, que acompanha o índice IMA-B5 P2 — composto por títulos públicos indexados à inflação com prazo inferior a cinco anos —, o WRDL11, que replica uma cesta global de ações de mercados desenvolvidos e emergentes, além do GOLD11, que oferece exposição ao ouro, e do HASH11, vinculado a um índice de criptomoedas.
Outro ativo presente nas carteiras são os BDRs da fabricante de semicondutores Nvidia, que permitem ao investidor brasileiro ter exposição a ações negociadas no exterior.
O conjunto das escolhas revela uma estratégia que combina proteção em renda fixa com exposição seletiva a ativos de risco, em busca de diversificação e de eventuais ganhos em diferentes cenários econômicos.