A queda de uma aeronave de pequeno porte registrada na tarde desta segunda-feira em Belo Horizonte (MG) passou a ser investigada pela Polícia Civil e pela Força Aérea Brasileira, por meio do Cenipa. O objetivo é identificar as causas do acidente, que deixou três pessoas mortas.
As apurações iniciais buscam esclarecer uma possível perda de potência do motor, que teria feito o avião planar antes de atingir um prédio localizado a cerca de seis quilômetros do ponto de decolagem, no Aeroporto da Pampulha. Entre os aspectos que serão analisados estão as condições do piloto, que está entre as vítimas, o histórico de manutenção da aeronave e eventuais falhas técnicas.

Especialista em segurança de voo, Roberto Peterka aponta que a perda de potência pode estar associada a contaminação do combustível — situação que pode comprometer o funcionamento de aeronaves de pequeno porte. “Em princípio, pode-se imaginar que foi combustível contaminado. Como a água fica por baixo do combustível, na hora em que o avião acelera, o que entra no motor é água, ao invés de combustível”, explicou, em entrevista à Folha de S. Paulo.
De acordo com o especialista, a verificação do combustível faz parte dos procedimentos obrigatórios antes da decolagem. A drenagem dos tanques tem como finalidade remover água e impurezas que podem se acumular, reduzindo o risco de falhas durante o voo. Ainda assim, outras hipóteses não são descartadas, incluindo problemas mecânicos ou fatores ligados às condições operacionais do piloto.
A delegada Andrea Pochman, da 1ª Delegacia da região Leste, informou que há indícios de que o problema tenha se manifestado ainda no momento da decolagem. A Polícia Civil também confirmou que o voo tinha caráter privado e não operava como táxi aéreo. A aeronave havia sido comprada recentemente e ainda estava em processo de transferência de propriedade.
Segundo a NAV Brasil, responsável pela torre de controle do aeroporto, o piloto chegou a declarar emergência (mayday) logo após a decolagem.