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Política

Psol decide não integrar federação com PT, PCdoB e PV e mantém aliança com a Rede

Ala do partido liderada pelo ministro Guilherme Boulos foi derrotada por 47 votos a 15
Por O Correio de Hoje
09/03/2026 | 15:32

O Diretório Nacional do Psol decidiu, em reunião realizada no sábado, não aderir à federação formada por PT, PCdoB e PV. A proposta vinha sendo defendida por um grupo do partido liderado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, mas acabou rejeitada pela maioria da executiva nacional. Na votação, 47 integrantes se posicionaram contra a entrada na aliança, enquanto 15 votaram a favor.

Durante o mesmo encontro, a direção partidária aprovou a continuidade da federação já existente com a Rede Sustentabilidade. Também houve aprovação unânime para que o partido apoie a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a presidente nacional do Psol, Paula Coradi, o debate sobre o tema ocorreu de forma ampla dentro da legenda e agora o partido pretende concentrar esforços na disputa eleitoral.

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Ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol) - Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

“O que havia para ser debatido foi discutido de maneira ampla e democrática, com a participação de todas as correntes do partido. Agora é momento de unificar forças para reeleger Lula e ampliar nossa bancada de deputados”, afirmou, em entrevista ao jornal O Globo.

A decisão evidenciou divisões internas no Psol. De um lado estavam setores favoráveis à federação com os partidos da base governista, como a corrente Revolução Solidária, ligada a Guilherme Boulos, e a deputada federal Erika Hilton (SP). Do outro lado ficaram as demais correntes da legenda, entre elas Primavera Socialista e Movimento Esquerda Socialista, que se posicionaram contra a proposta.

Erika Hilton afirmou que o resultado já era esperado diante das articulações internas realizadas nos dias anteriores à reunião. Apesar de discordar da decisão, disse respeitar a posição da maioria.

“Apesar de considerar que foi um erro, evidentemente respeito a decisão da maioria. É lamentável que o partido, em vez de priorizar uma estratégia voltada à ampliação da nossa bancada, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, e ao fortalecimento mais amplo do campo da esquerda, tenha escolhido concentrar seus esforços na superação da cláusula de barreira”, declarou.

Já a deputada federal Sâmia Bomfim (SP) avaliou positivamente o resultado da votação. Para ela, a decisão preserva a autonomia política do partido.

“Foi muito importante o Psol ter decidido não fazer federação com o PT. Assim mantemos nossa independência política, essencial para defender nosso programa, votar no Congresso conforme nossas convicções e lançar candidaturas próprias nos estados e municípios. Ao mesmo tempo, reafirmamos que estaremos ao lado de Lula na disputa eleitoral de outubro”, afirmou.