A atividade industrial no Rio Grande do Norte voltou a crescer em março de 2026, segundo a Sondagem das Indústrias Extrativas e de Transformação elaborada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador de produção alcançou 60,6 pontos, interrompendo uma sequência de cinco meses de retração e atingindo o maior patamar já registrado para meses de março desde o início da série histórica, em 2010.
O avanço da produção foi acompanhado por aumento na Utilização da Capacidade Instalada (UCI), que subiu oito pontos percentuais, para 78%. Apesar do desempenho positivo, o nível de emprego no setor permaneceu estável, com indicador em 50 pontos, após queda no levantamento anterior, indicando cautela na geração de vagas. A pesquisa também aponta redução nos estoques de produtos finais, que ficaram abaixo do nível planejado pela indústria. O indicador de estoques marcou 47,9 pontos na comparação mensal e 41,7 pontos em relação ao planejado, sugerindo ajuste entre produção e demanda.

No primeiro trimestre, os empresários relataram menor insatisfação com as margens de lucro, embora ainda abaixo da linha de equilíbrio, e maior dificuldade de acesso ao crédito. Ao mesmo tempo, o custo das matérias-primas continuou em alta, com aceleração no ritmo de aumento dos preços. Ainda assim, a avaliação geral sobre a situação financeira das empresas permaneceu positiva.
Entre os principais entraves apontados pelo setor estão a competição desleal — incluindo informalidade e contrabando —, o alto custo ou escassez de mão de obra qualificada, a carga tributária elevada, gargalos logísticos e o nível das taxas de juros, que seguem pressionando a atividade.
Para os próximos seis meses, as expectativas são majoritariamente positivas. Os empresários projetam crescimento da demanda, das compras de insumos e do nível de emprego, embora indiquem recuo nas exportações. A intenção de investimento, por sua vez, apresentou leve queda, passando de 71,8 para 70,7 pontos.
O levantamento também mostra diferenças entre os portes das empresas. Enquanto pequenas indústrias relatam maior dificuldade financeira e perspectivas mais cautelosas, com expectativa de queda no emprego e nas compras, médias e grandes empresas demonstram maior otimismo, projetando expansão da demanda, contratações e investimentos.
Na comparação com o cenário nacional, os resultados convergem em grande parte, mas com diferenças relevantes. No Brasil, a indústria ainda registrou leve queda no emprego em março e maior insatisfação financeira no trimestre, além de expectativas mais favoráveis para exportações nos próximos meses, indicando dinâmicas distintas entre o estado e o conjunto do País.