A possibilidade de delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deve ser discutida apenas após a conclusão da análise dos celulares apreendidos pela Polícia Federal durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, realizada na última semana.
Segundo informações apuradas, os investigadores querem primeiro acessar todos os dados contidos nos aparelhos para entender a dimensão do caso e identificar possíveis envolvidos. No momento da prisão de Vorcaro, em São Paulo, na quarta-feira 4, a PF apreendeu mais três celulares que estavam com o empresário.

Os aparelhos permanecem lacrados e ainda não passaram por perícia. Com isso, já são oito celulares atribuídos a Vorcaro que deverão ter o conteúdo extraído e analisado pelos investigadores.
Há também a possibilidade de que um eventual acordo de colaboração seja firmado diretamente com a Polícia Federal, e não com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A legislação brasileira prevê essa possibilidade. Pela Lei das Organizações Criminosas, tanto o delegado responsável pelo caso quanto o Ministério Público podem formalizar acordos de delação premiada.
O advogado criminalista Paulo Suzano explica que esse tipo de procedimento é permitido, embora não seja o mais comum.
“Apesar de não ser tão comum, a legislação prevê, sim, que o delegado de polícia possa fazer isso. Depende das especificidades de cada situação. O caso de Vorcaro é muito singular, e um ato tão inédito também deve ter soluções inéditas”, afirmou.
A preocupação com uma possível colaboração aumentou após o vazamento de mensagens que indicariam proximidade entre Vorcaro e autoridades. Para que a delação seja aceita, no entanto, o empresário precisará apresentar provas consistentes que confirmem suas declarações e apontar outros possíveis envolvidos, incluindo pessoas que estariam acima dele na suposta organização criminosa investigada.