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Para sobreviver, transporte público precisa de subsídios, diz presidente da Fetronor

Eudo Laranjeiras cobrou medidas como a inclusão de subsídios às empresas e de isenção tributária para a sobrevivência do setor
Agora RN
06/11/2019 | 03:00

O empresário Eudo Laranjeiras, atual presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor), afirmou que o Governo do Estado e a Prefeitura do Natal não estão demonstrando interesse na melhoria do sistema público de transporte potiguar. Ele cobrou medidas como a inclusão de subsídios às empresas e de isenção tributária para a sobrevivência do setor.

Segundo Eudo, 70% da população potiguar utilizar o transporte público no Rio Grande do Norte. No entanto, este serviço, identificado por ele como essencial, não é devidamente prestigiado pelo poder público – seja municipal ou estadual.

Para sobreviver, transporte público precisa de subsídios, diz presidente da Fetronor

“Quando se fala em subsídios, muito se fala que essa discussão só acontece aqui, mas não é isso. O mundo inteiro oferece subsídios. É preciso mudar o atual sistema de remuneração do setor, que hoje está fundamentado apenas no público, que é quem banca a passagem e remunera as empresas”, declarou durante entrevista ao programa “Tudo Agora”, da rádio Agora 97,9 FM.

Laranjeiras criticou a falta de diálogo entre as empresas de transporte e os representantes governamentais. “O atual sistema de transporte público é muito bom para o governo, somos nós os pagadores de impostos. Aí, quando há algum problema do setor, a culpa é sempre das empresas. Em outros países, o transporte público é visto como um serviço essencial, como é o caso do fornecimento de energia elétrica”, prosseguiu.

Para melhorar a situação das empresas que atuam no sistema de transporte público, Eudo Laranjeiras sugeriu que os governantes adotem medidas para subsidiar o setor. Além disso, de forma mais urgente, disse que o serviço necessita de desoneração de impostos. Ele apontou que o sistema de transporte poderia ter uma isenção semelhante ao que acontece com os produtos que formam a cesta básica.

“Primeiro, é preciso reduzir impostos, como é o que ocorre com os produtos que formam a cesta básica. Isso reduziria em 30% o preço da tarifa”, detalhou.

Outro problema diagnosticado pela Fetronor é a qualidade das estradas potiguares. Segundo o presidente da entidade, mais de 70% das rodovias federais no Rio Grande do Norte estão em condições ruins de piso e de sinalização.

Ele também cobrou maior empenho da Prefeitura do Natal para concluir a licitação dos transportes públicos – pendência que se arrasta há dois anos. “O transporte público não tem sido uma prioridade da Prefeitura do Natal. Muito se fala sobre a licitação do setor, mas por que ela não dá certo? É porque quando você tem um produto para vender, você qualifica o produto e o melhora para poder vender. Só que isso não acontece por parte do poder público. Temos que priorizar o transporte”, justificou.

Em Natal, apesar de as vias terem melhores condições que as rodovias federais e estaduais, a malha viária padece com outro mal: as lombadas. “Nunca vi uma cidade ter tantas lombadas como Natal. Quando você coloca um ônibus para disputar espaço com um carro, o transporte público sempre sai perdendo”, concluiu.